SHERLOCK – Juliana Calafange

Seu Egydio sempre gostou de histórias de mistério. Desde menino, devorava tudo que era livro de Agatha Christie, Alan Poe, Conan Doyle, Simenon e companhia.

Chegou a fazer curso pra detetive, mas quando viu que era muito arriscado e pouco lucrativo, desistiu da carreira. Acabou fazendo concurso público e virou funcionário conformado do Departamento de Procedimentos Disciplinares e Desenvolvimento de Pessoas do Ministério da Agropecuária.

Mesmo assim, nunca deixou seu hobby de lado. Investigava a vida dos colegas, dos chefes, até do pessoal da limpeza. Xeretava gavetas, correspondências, lixeiras, a fim de encontrar algo que fosse suspeito. Um dia, encarou uma das faxineiras, que acabou confessando, aos gritos:

– Matei meu marido sim! Aquele filho da puta me batia e me traía, envenenei ele com chumbinho e não me arrependo, viu seu Egydio! Mas o senhor não pode fazer nada, foi a mais de 30 anos e já “mescreveu”[1]! Continue lendo “SHERLOCK – Juliana Calafange”

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Las Contreras – Iolandinha Pinheiro

A família da viúva Anahy Contreras chegou no início da estação das chuvas, um mês depois de recebermos a carta do antigo morador da “Las Piedras” pedindo ao meu pai para aguardar as mulheres e mostrar tudo da propriedade vendida.

Como eu e Pedrito não sabíamos coisa alguma sobre as novas vizinhas, passamos todos os dias que antecederam a chegada delas ouvindo atrás das portas e conversando sobre detalhes inventados por nós mesmos.

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O Lugar Certo (Fheluany Nogueira)

O Lugar Certo

 

 

                       — Não vou! — parei na porta, disse com um pouco de calma e muita psicologia. Dei alguns passos para frente, estaquei e repeti:

                       — Não vou! —fiquei nesse vou e não vou, reprisando a lastimável cena algumas vezes. Notei que em minha volta perdiam a paciência e senti-me empurrada para dentro do avião, um tubo de metal totalmente à mercê de dois homens, encerrados dentro de uma cabine minúscula, repleta de equipamentos estranhos e complicados.

                       Não tinha como desistir já estava dentro do avião tentando me acalmar, parar meu medo. Fiquei quietinha por uns momentos.

                       Sentia a vibração do piso acarpetado e do abismo que logo haveria entre os meus pés e o verdadeiro solo. Fui me ajeitando no assento, lugarzinho apertado dos infernos… Continue lendo “O Lugar Certo (Fheluany Nogueira)”

AS MULHERES DO MEU HOMEM – Claudia Roberta Angst

Paulo Sérgio não é um homem bonito, longe disso. A natureza teve lá suas implicâncias com ele. No entanto, o sujeito exibe um magnetismo nato e uma impressionante habilidade de se comunicar e impressionar quem quer que seja o seu interlocutor.

Não sei o que esse cara tem, mas é fato que atrai mulheres como abelhas em um jardim florido. Descobri a formação da colmeia de mulheres perturbadas, quando encontrei a primeira foto. Revirar os arquivos de Paulo Sérgio passou a fazer parte da minha rotina diária. Lá, também encontrei muitas outras provas de que esse homem vale muito menos do que ostenta como nobre pedigree. É somente um vira-lata! Continue lendo “AS MULHERES DO MEU HOMEM – Claudia Roberta Angst”

UM CONTO DE VINGANÇA- Vanessa Honorato

Clara abriu lentamente os olhos. Suas mãos tocaram o chão forrado por folhas secas e frias. Estava em um bosque estranho. A noite era sombria, iluminada precariamente pela Lua que brilhava no céu.
Ainda tonta, ela sentou-se, tentando relembrar o que tinha acontecido. Mas suas lembranças estavam atrapalhadas, como um filme borrado. Tudo que recordava era de um homem de olhos vermelhos com um machado nas mãos.

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O plano B – Elisa Ribeiro

Marina chegou ao Café onde haviam combinado se encontrar com uns vinte minutos de atraso. Nisso, nos atrasos, ela persistia a mesma desde não sabia exatamente quando, na sua muito remota infância, percebera que chegar na hora ou atrasada, pra maioria das coisas, não fazia a menor diferença.

A porta do Café estava fechada. O mundo derretia do lado de fora no calor úmido, nauseante, do centro da cidade. Marina entrou afobada, úmida de suor por baixo da blusa branca de mangas três quartos que vestia apesar do calor. Esconder os braços convinha a uma octogenária. Dentro do Café a atmosfera era diferente: ar condicionado, luz suave, música ambiente. Num instante Marina sentiu-se outra, ela mesma de novo, naquele lugar agradável escolhido para o reencontro e um café antes da viagem.

Paulo reconheceu-a mesmo sem enxergá-la direito. A elegância sem afetação, a coluna ereta, o atraso. Nada além do tempo parecia ter passado. Marina examinou o lugar até avistá-lo sentado e sorrindo num canto

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Super mulher – Paula Giannini

Minha mãe sempre me disse… A vida inteira… Não case. Não se case! Ou, pelo menos, não se case cedo. Casamento é coisa de gente insana. Uma tediosa refeição, com a sobremesa no começo. Um submarino que pode até boiar, mas foi feito para afundar… E o que foi que a insana aqui fez? Casou. Não satisfeita em casar, casei cedo. Cedo e com um homem 3 efes. Feio, fo(piiii) e faminto…  Ai, como esse homem é faminto. Ele é capaz de comer qualquer coisa, come o que você colocar na frente dele. Inteiro. E ainda pede sobremesa. Dá para alguém explodir de tanto comer? Não. Eu digo que não. Se assim fosse… Se a gente explodisse… Eu já estaria viúva há anos. Muitos. Meu marido come. Come tudo… Tudo. Menos a mim. Não.

Menino! Olha essa bola! Olha, olha, olha a sua irmã, menino. Eu vou aí! Eu estou avisando. Eu, mico? Eu estou gritando? Garanto que você ainda não viu nada. Nada. Eu vou até aí e vou lhe dar uma coça para ficar na história. Você vai ficar uma semana sem conseguir sentar. Eu prometo. Continue lendo “Super mulher – Paula Giannini”

Esporro – Catarina Cunha

 

— Não faça ouvido moco, moleque, com esse buraco da maldade. Não te criei ouvindo canário para vomitar urubu depois de tirar os cueiros. Vou cuspir no chão e, antes de secar, quero tua cara de cagão aqui. Não adianta dar chilique nem botar tromba que eu não tenho medo de murrinha. Se apanhar na rua de novo dos maloqueiros carunchos e borrar o pino da caçoleta saiba que o cinto vai cantar na carcunda até fazer caminho de lacraia. O quê? Fala direito estrupício! Come como são e fala como doente. Parece que tem miolo mole. Como é que é? Vai retrucar empinando as ventas? Tua mãe não te deu educação? Tinhoso como o cunhado e enxerido como a sogra. Em vez de tratar a roça pra empedrar os braços fica aí de flozô com os livros até o cu da noite gastando candeeiro. Fica assim, xôxo, com vudum de preguiça. Depois me vem com renda de trancoso e não quer levar esporro. Nada de fliquiti e toma temência. Tenho dito. Pede a bença e xispa! Continue lendo “Esporro – Catarina Cunha”

I Love SP – Rose Hahn

A moça do balcão, embonecada no modelito laranja madura, informa que o voo vai atrasar só trinta minutos. Peço um pão de queijo. Credú! O preço está nas alturas. Faço o sinal da cruz e embarco no buzu aéreo.

O manete do motor está devidamente posicionado para as manobras de descida; o sujeito ao meu lado abana da janelinha para um senhor de poucos dentes, sentado no sofá da sala do minúsculo apartamento, espremido em meio aos prédios que abocanham o Congonhas.
Já enviei e-mail ao governador deste estado manifestando repúdio pela gabolice dos passageiros, que bisbilhotam a privacidade de lares de gente humilde e meio surda dos zunidos no céu. Clamei às autoridades a remoção do aeroporto à área digna e descampada de edifícios; aproveitei e conclamei também à redução do preço do pão de queijo.
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Era Uma Vez Um Macaco Chinês – Iolandinha Pinheiro

” E durante muitos anos crimes insolúveis, todos igualmente macabros, aterrorizaram a China” – Diário de Pequim – 13 de outubro de 2000.

” As investigações nunca foram concluídas” – Depoimento colhido do Chefe de Polícia Pong Shu – Diário de Pequim – 15 de outubro de 2000.

A pequena estatueta ficava numa daquelas lojas que proliferam em galerias e estreitos bequinhos do centro comercial mais antigo da cidade, iguais a outros milhares de becos, de modo que nunca sabemos se estamos na esquina certa ou se deveríamos ter entrado duas ruas atrás, e, na maior parte das vezes, nunca conseguimos voltar ao lugar certo.

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Casal perfeito – Paula Giannini

Eram feitos um para o outro, dizia quem os via assim, aos beijos em pleno meio-dia de uma data qualquer, em frente ao prédio onde moravam. Romeu e Julieta, queijo com goiabada, arroz e feijão, brincavam os amigos.

Eram feitos sob medida.

O céu e o mar, a Bela e a Fera, a faca e o queijo. Eram o cúmulo do cúmulo dos clichês amorosos, e chegavam a “pegar nojo” aqueles que os viam assim, de mãos entrelaçadas, melosos, melados, cheios de risinhos, beijinhos, e mais inhos e inhos. Tudo era diminutivo no vocabulário daquele superlativo e sempre unido casal.

Metades da mesma fruta, na estranha matemática do amor, dois somados, juntos, eram um, e, separados, quase nada. Acordavam juntos, comiam juntos, trabalhavam juntos, sonhavam…

Não se podia pensar nela sem se pensar nele e vice-versa. Chegava-se mesmo a confundir um e outro. Sempre unidos. Onde quer que um estivesse, bastava uma esticada no olhar, para em seguida avistar o outro, saído de trás de alguma prateleira ou árvore no caminho.

Era chato.

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A Solidão do Vinho – Claudia Roberta Angst

Algumas horas haviam escorregado pela ampulheta antes que Joana escolhesse aquele destino. Parecia-lhe muito pouco tempo, na verdade. Conversa de minutos, palavras estendidas como um tapete surrado pelas chuvas. Melhor teria sido calar, mas quando o silêncio vinha, pesava, condensando a instabilidade das possibilidades. Nada mais mutável do que uma pausa, uma brecha rasgada no turbilhão de acontecimentos.

Congestionava o entardecer com seus pensamentos. Havia neles todo tipo de devaneios tortuosos. Como se, de repente, ela visse tudo pela primeira vez. Continue lendo “A Solidão do Vinho – Claudia Roberta Angst”

Fada Madrinha (Fheluany Nogueira)

Fada Madrinha

 

— Nara, Nara Lúcia! Não acredito! Há quanto tempo… — uma voz máscula se aproximava. Olhando com mais atenção ela percebeu que já conhecia aquele homem, os traços eram familiares, o andar, os cabelos, os olhos.

— Raul! O que faz aqui? — o rosto da mulher se alargou em um sorriso ao reconhecer o amigo de infância.  Viu-se transportada para um passado distante. As lembranças que tinha eram de jovens felizes.

— Eu trabalho… E pelo que vejo, é você mesma que estou procurando… Diga-me que quebrou esta perna ontem na festa de Santo Antônio — indicando a perna com tala, puxou a cadeira e pedindo licença, sentou-se.

— Poxa! Um acidente ao fugir das bombinhas… Sou azarada, minha fada madrinha me abandonou. — falou, de manso e conformada.

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Paredes Silenciosas – Evelyn Postali

“Todas as coisas têm fim. O mal do homem é pensar que pode ser eterno. Só eternizamos momentos.”

 

Alexandre Melo retornou da DH transtornado. Precisavam esperar pelo escrivão e o mandado. Patrícia Fraga viu o parceiro reclamar o tempo todo. Ela sabia com exatidão o que se passava na cabeça dele.

Encontraram a casa do pedreiro, porém não sabiam se Rosana Nogueira ainda respirava. A locatária identificou Rafael Soares, como seu inquilino. Abriu as portas de sua casa e da casa dos fundos para a busca e apreensão depois da explicação de Patrícia sobre o motivo de estarem aí.

A mulher, já nos seus setenta anos, precisou ser medicada. O nervosismo pela situação a fez gaguejar e acentuou a dificuldade de ficar de pé. Suas mãos tremiam, mal conseguindo segurar o copo com água.

— Vem uns caras para arrebentar a parede — o delegado informou, jogando o chiclete de um lado para outro. Caminhou pelo pequeno espaço consumindo as últimas fagulhas de ânimo.

— Quantas horas mais para ter uma maldita ordem judicial? O juiz, por acaso, sabe o que encontramos todos os dias nesse maldito trabalho?

— Os peritos recolheram todo o equipamento de vídeo encontrado — explicou a parceira. — Recolheram a impressora. Encontramos digitais, mas não sabemos se são das vítimas. Não há nada, nenhum objeto ou roupa além das que estão no armário e que, é bem provável, sejam dele. Precisamos conectar tudo para sustentar muito bem a acusação.

— E o jeito é fazer de acordo com a lei. Não dá para burlar isso, Alexandre — Monteiro tentou argumentar de forma serena. O medo, porém, mantinha-se firme ao lado de todos, cutucando as entranhas. Ao abrirem aquelas paredes, sabiam o que encontrariam. — O escrivão já deve estar vindo.

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Agora ou Nunca – Vanessa Honorato

Eu estava lá, sentado na primeira fileira depois dos padrinhos, do lado do corredor, quando as portas da Igreja abriram-se e o noivo entrou. Ele usava smoking preto, camisa branca, gravata borboleta. Seus cabelos eram grisalhos e encontrava-se um pouco acima do peso. Ao seu lado estava sua mãe, já idosa, usando um vestido de seda longo, azul. Ele me notou e encarou-me por alguns segundos, pela sua expressão, pareceu não aprovar minha presença. Pararam no altar enquanto todos os padrinhos entravam e as portas foram novamente fechadas.

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Revelações de um Retrato Perdido – Virginia Barros

Sento na poltrona cor de vinho como se ainda fosse dez anos atrás. O risco sujo na parede de onde tiraram o quadro da minha infância me desafia, assim como os móveis errados, trocados. Levanto-me, inquieta; é pecado tomar o lugar dos mortos.

“Por que só deixaram a poltrona?”, pergunto-me, enquanto deslizo até a janela para tentar vislumbrar as flores vermelhas que minha falecida avó cultivava com tanto zelo. É claro que não estão mais ali. Tudo o que resta é a terra pisada e mato mal cuidado. Continue lendo “Revelações de um Retrato Perdido – Virginia Barros”

Do outro lado do seu mundo – Anorkinda Neide

 

 

Do pouco que lembrava, ela sempre esteve ali. Naquele ambiente, vivendo
daquele modo. Era uma garota vivendo solitária em um local ermo, belo por sua natureza exuberante e completamente acolhedor a ela. Nada lhe faltava, nada lhe era difícil. Acostumada a fazer tudo sozinha, morava numa cabana rústica e confortável, pequena e perfeitamente ajustada a suas necessidades. A garota imaginava ter sido instruída por alguém, acreditava ter conhecido outras pessoas, mas ela não lembrava. Ela evitava pensar. Fazia todas suas atividades concentrada e bastante feliz. Tinha por amigos pequenos animais, passarinhos, esquilos, coelhos… ela conversava com eles. Havia momentos em que sua mente divagava à procura do passado, era quando ela desviava o foco e permitia-se divagar sobre a vida… Continue lendo “Do outro lado do seu mundo – Anorkinda Neide”

Faro – Elisa Ribeiro

Eram jovens comuns que carregavam, cada um dentro de si, um breve passado de amores sonhados ou modestamente ensaiados, de modo que começavam desse jeito comum o que mais tarde lembrariam terem sido suas vidas.

Quando se conheceram, entretanto, deu-se de pronto entre eles algo que antes  nunca haviam sentido. Uma atração fulminante, pressão que impelia um ao outro como se algo ou alguém de fora os juntasse, dessa forma a descreveram.

Havia também amizade e carinho, mas muito mais que afeição, atava-os  uma urgência, uma aflição  que a ambos enfeitiçava e  fazia crer ser a tal abstração a que se chamava paixão o que de fato os unia.

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Vinte e nove de julho (Renata Rothstein)

Acordou decidida, naquele vinte e nove de julho. Ninguém mais ia guiar seus passos, indicar o caminho, como se fosse comandada por um general invisível, ou eletrônico, uma espécie de GPS dos infernos que só aparecia para deformar seus pensamentos, seus antigos planos, seu sonho de viver.

Viver. Verbo tão vasto, que já se transformara em pesadelo, há tempos.

Mas como toda grande crise antecede grandes mudanças, após todo o sofrimento, todo joelho dobrado, vidros quebrados e pulsos cortados – medida extrema, não metafórica -, estava mais forte.

Juntou as roupas, jogou na maior bolsa que encontrou no guarda-roupa, lembrou de escrever um bilhete, dizendo que não voltaria, mas que mesmo assim esperasse, pois nunca se sabe o caminho que a estrada nos fará percorrer. Ou a estrada que o caminho irá nos impor.

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A vida como ela não é – Sandra Werneck

Cocó… Cocó…Cocó…Cocó…

O barulho começou de madrugada. Nos meandros das sombras, como uma péssima dose de filme noir. Ou policial. Ou o raio que o parta. O fato foi que ele surgiu com tal magnitude que não me deixou mais dormir. E me aporrinhou o juízo. E eu me senti explodir. E vi minha vida sendo entupida de outras vidas. Uma galinha. Do vizinho. Ainda sem ovo amarelinho, com sorte. Praguejei. A gente pensa que conhece tudo, que vai fugir e ficar livre, mas não fica porque o destino é pior que praga de gafanhoto. E te segue feito sombra, mesmo durante a noite que já se findava. O marido ao lado, roncando com a boca aberta, baba saindo pelo canto da boca e se esparramando pelo travesseiro. Nem piscava. Só. Eu, no meio do quarto escuro. Eu e a galinha.

Cocó… Cocó…Cocó…Cocó… Continue lendo “A vida como ela não é – Sandra Werneck”

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