Vidro (Amana)

Abraçou o irmão, abraçou o pai. A mãe garantiu: haveria outras vezes, sempre que quisesse. A menina entrou no carro se agarrando a essa promessa. Do banco do carro acenou pela janela, sensação de algo se partindo, e não era o vidro da janela. Talvez um frágil bibelô. Homem e menino então foram sumindo, mais... Continuar Lendo →

Sopa Paraguaia – Paula Giannini

Ingredientes 2/3 de copo (250 ml) de óleo  2 Cebolas médias em fatias finas  2 Ovos levemente batidos  500 ml de leite  250 g de Flocão de Milho  Colher rasa (de sopa) de fermento em pó  Xícaras de queijo picado em cubos (minas ou meia cura)   Queijo ralado (parmesão)  Sal e pimenta do reino a... Continuar Lendo →

Rendição – Giselle Fiorini Bohn

Quando eu tinha quinze anos eu gostava de roer as unhas. Adorava tirar cada pedacinho, contorcendo minha boca até que não sentisse mais nenhuma farpa teimosa, até que meus dedos latejassem de dor. Mas eu não ligava, e eu os apertava uns contra os outros até que ficassem amortecidos. Roer as unhas era uma infantilidade,... Continuar Lendo →

O apanhador no campo de centeio – Resenha

Autor: Jerome David Salinger Ano de lançamento: 1951 Número de páginas: 277 (físico), 365 (digital - 16 edição.) Tradução: Álvaro Alencar Resumo: Holden Caulfield, adolescente de dezessete anos, narra os acontecimentos de um ano atrás e que o levou a situação atual (recuperando-se em alguma instituição após sofrer um esgotamento). Caulfield é expulso do colégio... Continuar Lendo →

Março. Mês da Mulher. E todos contra a violência

(Renata Rothstein) De: Helena Assunção Para: Pastor Edilson Pastor, Sua bênção. Levei tanto tempo para escrever por simplesmente não encontrar uma forma até de iniciar tudo o que preciso falar, por esperança de que tudo pudesse melhorar e até por comodismo mesmo, provavelmente. Escrevo cada linha chorando e com muita vergonha também. Tentarei ser breve... Continuar Lendo →

Encarnado – Elisa Ribeiro

O espelho trincou do nada. Trinta anos pendurado na parede, trinta e um precisamente, desde que se instalara naquele sala e dois quartos. Não acreditava em maus presságios. Olhos exagerados, rugas e sarda apagadas, polvilhou no rosto o pó translúcido, última etapa da maquiagem; o batom, só na hora de sair de casa. A flacidez... Continuar Lendo →

Café com canela – de Paula Giannini

Ingredientes1 colher (chá) canela1 xícara de açúcar demerara  Café Era cor de ouro. O céu de fim de tarde lambendo as mesas, o silêncio momentâneo do mundo às seis prometendo algo que há tempos desconhecia. Alento. Paz. Um algo qualquer que calasse aquela mão que se enfiara em seu peito e que se fechara crispando... Continuar Lendo →

#Jorge – Evelyn Postali

Depois de #longajornadanoiteadentro, vou #embuscadotempoperdido uma vez procrastinada a segunda-feira. Eu brinco comigo mesmo arrumando os livros na bancada frontal. — Bom dia, Jorge! Deu folga para o barbeador? Meu patrão, não é dos piores. Também não é de ficar #esperandoGodot. Quer as prateleiras todas organizadas, já que os sonhos depositados no seu insuportável e... Continuar Lendo →

RECONCILIAÇÃO (Claudia Roberta Angst)

Enquanto sinto saudades do acaso, surgem imagens que não pertencem a este momento. Uma reconciliação tardia entre dois que nunca se entenderam como um. Mas a história tem sido escrita indiferente da vontade de ambos. O tempo passa lentamente, e as imagens ficam para sempre congeladas. Não tenho nada além de lembranças, experiências entre medos... Continuar Lendo →

Quem realmente é você? (Vanessa Honorato)

Era uma manhã de domingo bem chata e por isso Rafael resolveu visitar seu amigo. Não que fosse o único motivo da visita, não era só por tédio, mas havia muito tempo que não via Estevão. Eram amigos desde a faculdade e o tempo corrido estava afastando-os. Tomou banho, colocou uma roupa leve para enfrentar... Continuar Lendo →

O pegador

A Marinalva chegou com a saia curta e o olhar longo, espichado para onde eu estava. Atrás do balcão, meu corpo estremeceu. “Hoje vou beber todas, Túlio”, disse o Marreco, batendo a mão espalmada no tampo de madeira melecado de whisky barato. “Já sei, uma coca-cola”, falei, um olho nele o outro na Marinalva, talvez... Continuar Lendo →

Conforto – Giselle Fiorini Bohn

- Eu ouvi dizer que existe uma coisa chamada conforto... - Você acredita em tudo. A coragem na voz da menina apagou-se por um momento. Por que ele sempre fazia isso? Não que seu tom fosse rude ou prepotente; podia-se dizer até ser terno. Mas, com poucas palavras, tinha o poder de fazê-la sentir-se tão... Continuar Lendo →

Pecado (Amana)

Um olhar indiferente sem querer que fosse assim. Puro fingimento. E naquele olhar disfarçar a urgência, o desejo, a promessa de um pecado a fazer do amor uma ferida na alma, cada vez mais profunda. A pulsação acelerada, sem a necessidade do toque, era a sensação a cada encontro. E era como se todos próximos... Continuar Lendo →

Dias de Chuva – Iolandinha Pinheiro

Dias de Chuva Caminho pela chuva, e vejo a praçaPor onde uma criança anda descalçaSeguindo pelo vento, achando graçaDos barcos de papel, em uma valsaDançando quase juntos sobre o rioValentes, enfrentando o aguaceiroVoando sob o duro meio fioAté se desmancharem por inteiroAli se encerrou, breve destinoDos dois pequenos barcos pelo mundoNascer e já morrer em... Continuar Lendo →

Chove (Renata Rothstein)

Chove E eu, que já não sei chorar Deságuo desato e derramo Nas ruas de cetim, o sonho Último, escasso, quase laço No fim, eu sei, melhor assim Canções ao breu. E eu? Luar Parte é perda, parte é ganhar Parto - calo, e violo as regras E cega, mutilo, sigo as setas Todo inverso,... Continuar Lendo →

A tarde é outra… – Fheluany Nogueira

Acordam às sete da manhã. A menina vai arrumando a cama, estendendo os lençóis, ajeitando a colcha. O quarto do pai não é tão diferente dele mesmo há três anos. Só mais desorganizado. A cama continua um redemoinho de lençóis e papéis. Debaixo dos móveis, diferentes embalagens de salgadinhos, sobras de batatas fritas e roupas... Continuar Lendo →

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