Pulso – Evelyn Postali

Como chegara àquela encruzilhada?

Com a arma em punho apontada para Max, ouviu a própria respiração enquanto o pulso tremeu de leve ao experimentar o peso da pistola. Aquele seria o momento propício para romper a linha tênue entre o que já vivera e a estrada desconhecida que se abria adiante? Era assim, num estalo, a fronteira entre o bem e o mal, entre o certo e o errado? Puxar o gatilho ou não? Mas o que diria ao irmão a esperar por ela em casa? “Ei, maninho! Matei um homem. Agora você pode fazer a cirurgia.” Era isso? Nada mais de madrugadas trabalhando por mixarias, nada de patrões abusivos, nada de músculos cansados pelas horas extras.

Ao perceber o movimento do sujeito caído à sua frente, o dedo roçou no gatilho.

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Sentada ao lado do irmão na cama do hospital, disfarçava a ansiedade lendo um jornal cujas notícias eram passado. Enquanto aguardava pela equipe médica, relia cada pequeno texto mais de uma vez. A espera é um animal voraz comendo de dentro pra fora.

— Como consegue ler essas notícias?

— Preciso me manter informada. Nesse ramo de entrega expressa, todo o cuidado é pouco. Além do mais, posso encontrar alguma outra fonte de renda. Isso seria bom, não seria?

— Se não fosse por você, já estaríamos morando debaixo do viaduto.

— Kira… — Sayu entendia a preocupação do irmão. — Gosto do que faço. É um trabalho como qualquer outro, você sabe. E logo, logo, você volta a andar e podemos nos mudar para um lugar melhor.

— Eu sei, mas não é justo. O sustento da casa é graças a você. Se não fosse pelo serviço extra que faz, eu não teria minha medicação. Você não está fazendo apenas o papel de irmã. Você assumiu o papel de nossos pais.

— Não poderia decepcioná-los nem se quisesse. Você é meu irmão! Amo você. Não se esqueça disso.

A porta abriu sem aviso e uma mulher vestida de branco com um estetoscópio pendurado como echarpe adentrou seguida por dois homens. Um tremor aqueceu suas pernas. Estava na hora, afinal. Depois de todos os papéis preenchidos e exames realizados, Kira fora chamado para a cirurgia de implante. O que se quebrara, voltaria a funcionar.

— Senhorita Sayu? — A mulher estendeu a mão, cumprimentando-a. — Sou a Dra. Alice. Esses são os doutores Davi e Norton. Vamos cuidar de seu irmão, agora. — Ela voltou-se para Kira e alargou o sorriso. — Está pronto? Podemos ir?

Como não encher os olhos de lágrimas? Enquanto eles o recolocavam na cadeira, a felicidade tomava conta. Havia a preocupação com relação à cirurgia, sim, mas aquela era a chance a qual se agarrava. Voltar a ver o irmão andar novamente superava qualquer outra felicidade.

— Vou estar aqui, irmãozinho, esperando por você.

Enquanto Kira seguia com os médicos, ela sentou-se de volta à cadeira, desta vez, próxima da janela. O dia estava medonhamente ensolarado. Como não amar aquele momento? Como não sentir os ventos quentes de outono, erguendo as folhas do pátio do hospital, também soprando vida para dentro dela?

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A Ninja H2R de quase vinte anos servia, não só para seus propósitos de trabalho, mas para um prazer puro e indelével depois do horário de serviço. O modelo, provido com um motor de 4 cilindros de 1000 cilindradas, resolvia as questões do tempo. Ninguém na área batia os mais de 300 cavalos de potência.

Quando a libertava do baú de moto-frete, sentia a vida pulsando desenfreada, vencia os quarteirões em curvas fechadas, adonava-se de ruas desertas ou mesmo congestionadas. Fora amor a primeira vista, mesmo que a lataria denunciasse a idade ou o desgaste do couro do acento apontasse para algumas quedas. Mesmo estando fora de linha, garantia a aderência e a pressão aerodinâmica.

Inebriante, intoxicante e inesquecível. Não sentia medo da sensação do ronco do motor engrenado à adrenalina, eletrizando o corpo – tronco curvado, pernas flexionadas, freio esquecido –, acelerando a emoção em cada bombeada de gasolina, quando o coração aumentava a velocidade sanguínea. O medo vinha depois. Vislumbrava o medo no dia em que o desejo por mais seria tanto que a linha da prudência se quebraria e ela mergulharia para a morte.

Estava próxima do escritório de entrega expressa. A fachada mostrava os sinais do tempo – pintura descascada, manchas de infiltração, ferrugem na porta corrediça, piso irregular. À noite, a frente emergia como lugar tenebroso e um letreiro borrado com pouca iluminação anunciava: MANOEXPRESS – Delivery Service. A decadência só não se alargava porque a irmã do Manoel lidava bem com o serviço e conservava o interior ajeitado. Segurava os móveis limpos e ordenava os papéis de recados. Também colocara algumas folhagens penduradas e, a contragosto do irmão, sustentava vasos minúsculos de violetas esquálidas sobre o balcão maior, próximo da janela do lado leste, onde a luz acariciava generosamente as flores azuis e roxas.

— E aí, Japinha?

Ouviu Manoel, assim que retirou o capacete, mantendo o motor ligado. O patrão poderia ser classificado como capaz de algumas empreitadas memoráveis, mas, igualmente, de algumas cagadas homéricas. Um homem que não se situava muito bem do lado do bem e, também, não se encaixava do lado do mal. Sempre arrumava algum trabalho rentável para ela depois do expediente diurno, entretanto, não era flor que se cheirasse sem desconfiança.

— Qual é, Mané?

Pagava-o na mesma moeda. Ele abominava aquele apelido.

— Assim você me magoa, flor de cerejeira.

Como não nutrir certa simpatia por ele? Além do mais, tinha o sorriso, mantido em dia de sol ou nas piores tempestades. Não havia motoboy que não lhe devesse favor. Manoel conseguia conciliar a ginga carioca com o furor daquela selva cinza de vidro e aço.

— E eu não sou japinha.

— Tudo bem. Entra aí. Tenho um negócio sério pra você.

“Negócio sério” significava viagens longas, clientes esquisitos, mas, o melhor: grana alta. Não importava muito naquelas alturas de campeonato o tipo de empreitada na qual se meteria. Importava, mesmo, conseguir juntar o bastante para cirurgia de Kira, já que as grandes organizações monopolizam a saúde mantendo o povo numa escravidão velada.

— Chega mais.

Pouco depois de entrar, mesmo antes de estacionar e pular de cima da moto, ouviu o som estridente e esganiçado da porta de ferro se fechando. Os trilhos precisavam ser engraxados.

— Esse aqui é o Max.

O sujeito barbudo, de face afinada e olheiras marcadas a cumprimentou com um leve balançar de cabeça. Sentado na cadeira da chefia, descansava as pernas em cima da mesa, coisa que ninguém fazia por mais intimidade que tivesse com o dono do lugar. O tal de Max agia como se tivesse passe livre no escritório. Àquela altura de seu trabalho no delivery service, já entendera que Manoel só não fazia negócio com o capeta porque o inferno era longe demais.

— Essa é Sayu, a melhor piloto que conheço. Sem contar que tem aquelas paradas de karatê.

O homem tirou as pernas de cima da mesa, levantou-se e olhou-a de cima para baixo. A arma carregada na cintura fez brotar a dúvida sobre aceitar o ‘trabalho’. Olhava para a figura do desconhecido e só lia uma palavra: perigo.

— Não sei, não, Manoel.

— Qual é, chefia? Pode confiar no que digo. Sayu é a melhor. Conhece cada esquina, cada beco, cada desvio da área que me falou. Além disso, é discreta. Só precisa ser justo no pagamento.

— Qual é o serviço?

A pergunta também era justa. Afinal, se o serviço a ser feito era perigoso, precisava calcular os prós e contras. Uma pessoa estava sob seus cuidados: Kira. E não deixaria seu irmão desassistido.

— Tudo o que precisa fazer é me esperar. Eu entro. Faço o serviço. Saio. Você me leva para o endereço que eu lhe der e recebe um pagamento generoso.

— Pagamento generoso é algo vago.

Já estava com um pé no ‘não’ quando Manoel interveio. Manoel e sua boca grande.

— A Sayu precisa de grana para a cirurgia do irmão.

— Depois desse trabalho seus problemas terminam. — Foi o que o tal Max respondeu. — Já tenho o seu contato. Mando mensagem assim que tudo estiver pronto. — E saiu, deixando os dois sem olhar para trás.

— Por que me olha desse jeito?

— Você tem a boca maior que o cérebro!

— Qual é, minha cereja? Não é segredo que o seu calcanhar de Aquiles é o maninho.

— Ele não parece confiável.

— Tá de brincadeira, né? — Sorriu displicente. — Nesse negócio, tem alguém confiável?

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Da pequena cozinha, olhava para o irmão por entre lágrimas idiotas; uma cortina a cegar a lógica e a bombardear sentimentos irracionais, apontando para sua condição de mera espectadora da morte. Não uma morte complacente – se é que ela pode ser complacente –, mas uma morte dolente, como entardeceres arrastados, sem luzeiros no céu. Como se fosse um deus por cima das nuvens a olhar inerte para os mortais a se decomporem em seus próprios atos, não esboçando um vívido movimento sequer de alento; desumano, duro, insensível com sua própria criação.

Sim, ele estava tediosamente infeliz de novo; com aqueles olhos ruídos e sem brilho, pálido até os dentes e ombros caídos. A doença física não legava a ele somente a paralisia nas pernas. A alma definhava aos poucos. Que raio ela diria para ele? Como aliviar a própria culpa por não juntar dinheiro o suficiente para bancar a cirurgia?

A espera por uma vaga no Hospital Geral desanimava qualquer um. Não só pela carência financeira para bancar os procedimentos de grande porte tecnológicos, mas também porque o desdém para com os menos favorecidos alastrava-se por quase duas décadas nas redes públicas.

Considerando a raridade da doença, o quão urgente se fazia a cirurgia, ou o quão desesperada sentia-se diante da decadência de Kira, quais as palavras poderia usar para aliviar aquela sensação de incompetência diante da má sorte na qual mergulhara nas últimas semanas? Como desvencilhar-se do constrangimento da pouca serventia?

Revolvia as entranhas na busca de uma solução imediata. Não bastava aceitar as entregas expressas para escritórios, restaurantes, e-commerces. Fazia qualquer ‘bico’ para juntar grana extra. Vencia o cansaço e a vergonha. As contas não esperavam, não é? No final do mês batiam à porta os boletos fixos, o aluguel daquele cubículo e os medicamentos.

E lá estavam eles, aqueles olhos fixos desencantados do irmão, mergulhados em um espaço-tempo desesperador, esperando por alento, talvez, mas ela também não tinha certeza de nada, porque viver um dia de cada vez fazia alguns estragos em qualquer corpo fechado.

— E aí, irmãozinho? Comeu?

A melhor saída para a situação na qual se encontravam seria continuar a ‘fazer dinheiro’ de forma rápida.

— Não tenho fome.

E a história se repetia. A prisão à cadeira de rodas tirara do irmão muito mais do que o movimento. Até o amor pelo desenho sumira. O projeto do mangá, ainda pela metade depois de meses iniciado, não dizia senão do desânimo crescente e de um mergulho para o nada, capaz de carregá-lo para um vazio existencial mortal.

— Precisa se alimentar. Não vai poder fazer a cirurgia estando fraco.

— Você fala como se fosse resolver o problema amanhã.

— Ora… Quem garante? A ‘sorte grande’ pode estar em qualquer esquina.

No quarto, longe dos olhos de Kira, puxou com cuidado o estojo escondido debaixo da roupa da última prateleira do roupeiro duas portas. Abriu-o quase constrangida. Era isso mesmo o que precisava? Retirou com delicadeza a pistola e verificou a trava e o pente. O seguro morreu de velho.

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Atenta aos movimentos da rua, no ponto cego das câmeras instaladas, mantinha a moto em espera. Os sentidos despertos açoitavam o silêncio. Um gato miou nas redondezas de muros altos a fechar terrenos. A luz da televisão ligada na janela aberta do prédio em frente piscava tênue. Uma sirene distante rasgando a avenida do outro lado arrepiou o cabelo da nuca.

Pensou em Kira, em casa, sozinho. Talvez não devesse mais envolver-se em contravenções, nos pequenos furtos, auxiliando a malandragem. Se morresse, quem cuidaria do irmão? Ou pior: como o irmão se sentiria? Apesar de não ser um ponto de referência, motivo de orgulho, os ensinamentos deixados pelos pais ainda apontavam para o caminho do bem.

Sacudiu a cabeça. Deveria manter longe os pensamentos dispersivos.

O sentimento incômodo, companheiro do dia, grudara nela e cutucava sua desconfiança. As informações obtidas sobre Max, embora de fonte segura, eram vagas. O pessoal metido em negócios escusos não o conhecia.

— Esse tal de Max, eu não conheço.

— Tem certeza, Kako?

As gangues do bairro vizinho nunca ouviram falar dele.

— Tem um sobrenome?

— Não. Tudo o que sei é que se chama Max.

— Muito vago, maninha. O pessoal com quem falei, não sabe desse sujeito.

Manoel jurara de pés juntos: Max o procurara há alguns dias apenas, por referência dos mafiosos da zona Sul.

— Por precaução, troque a placa da moto.

— Farei isso.

Controlou o relógio. Observou mais uma vez o entorno. Das sombras, viu a mulher fumar na janela. As luzes do prédio em frente já estavam todas desligadas. Um minuto mais e era hora. Acelerou. Na marcação que fizera, bastava cinco minutos. Cada referência dada pelo contratante passou por ela a 50 km/h.

A Ninja deslizou pela rampa de pedras trabalhadas e contornou o jardim frontal onde somente as flores mais claras se destacavam entre os tons pardos da noite. Uma fachada de vidro azulado refletiu sua imagem sobre a moto, apontando para uma multiplicidade incômoda e enganosa. Não havia movimentação na recepção. Olhou para o alto, para as sacadas iluminadas.

Quando o cronômetro zerou, apertou o marcador novamente. “Conte até quinze”, Max disse. Ela contou e antes de completar a lembrança, lá estava ele, cruzando a porta. Nenhum alarme soou. Nenhum grito. Nada! Ele agarrou-se nela e partiram, sumindo pela rua lateral.

Sayu desviou das ruas principais. Pegou as ruelas, entre os becos, por onde só mesmo uma moto passaria. Cruzou as avenidas mais movimentadas pelas transversais e embrenhou-se pela periferia da zona oposta, num sobe e desce medonho, parando próxima de um matagal, quase fora da zona urbana. Lugar isolado, morro acima. Desligou a moto onde Max deixara o carro.

— Bom trabalho, Ninja — disse, retirando o gorro de esqui e se desvencilhando da garupa. — Agora, só precisamos acertar o seu pagamento, não é mesmo?

“Merda!” Pelo espelho direito, Sayu viu Max puxar a arma da cintura. “Merda!”
Sem tempo para escapar, o jeito era encarar. Retirou o capacete como quem está distraída, colocando-o sobre a moto, conversando normalmente.

— Podemos fazer negócio outras vezes. Basta chamar — e puxou a pistola da parte interna da jaqueta de couro, disparando a queima roupa, pegando-o desprevenido, antes mesmo de ele ter chance de apontar a arma para ela.

O tiro certeiro, no ombro, derrubou-o e a arma carregada por ele foi parar alguns metros distante.

— Filha da puta! Desgraçada! — Pressionava a mão sobre o ombro. Sangrava. Podia-se ver o visgo tingir superfície da mão, mesmo com a pouca iluminação daquele fim de mundo.

— O que esperava? — Sem desgrudar o olho do sujeito, juntou a arma, enfiando-a na cintura, na parte de trás. — Uma ovelhinha, mansinha, com um alvo na testa?

— Vai se arrepender, traíra.

— Olha quem fala… — Apontou para o meio dos olhos de Max. — O cara que estava a ponto de acabar comigo sem pensar duas vezes.

— Se atirar, não vai ter sossego. Meus amigos encontram você. Encontram seu irmão.

— Que amigos? Você não tem amigos. — Recolheu a mochila de Max. Abriu-a. Muita grana, alguns documentos… — Sondei o Manoel, perguntei para uns caras conhecidos dele. — Abriu a caixa aveludada e as pedrinhas cintilavam, mesmo no escuro. — Você não tem parceiros. — Fechou o zíper da mochila ainda atenta a ele. — Você não tem ninguém.

— Você não tem coragem.

A encruzilhada… A pulsão de morte.

Tarde demais para não cruzar.

A pulsão de vida.

Disparou duas vezes.

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PERSONAGEM QUE INSPIROU O CONTO:

DESAFIO AS CONTISTAS AMANDA GOMEZ

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24 comentários em “Pulso – Evelyn Postali

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  1. Olá, Contista!

    Obrigada por participar do nosso desafio 🙂

    Primeiro quero destacar a arte que você criou, eu achei que o jornal era uma propaganda do blog rsrs só então entendi que se tratava de um mimo da autora, ficou show!

    Gostei do conto, acho que o conflito foi resolvido, a personagem teve um bom desenvolvimento a ligação com o irmão e seus motivos para tudo que faz, ficaram claros, a gente entende a personagem. A todo momento é demonstrada os conflitos internos da personagem, seus medos e anseios. Ela está disposta a tudo.

    O começo abre a expectativa, uma cena remetida ao final, gostei da escolha, não havia outra, não uma em que ela pudesse sair sem cruzar essa fronteira.

    Senti, talvez, apenas falta de uma ambientação mais ”encorpada” não me senti em uma história futurista, tem poucas coisas que remete a isso, ou simplesmente não consegui me deixar levar, imaginei algo mais sci-fi, não sei. Se for pensar 2035 é logo ali, a gente que tem mania de achar que vai ser tudo diferente, não é? rs

    Parabéns pelo conto, pela dupla. Espero que tenha sido uma boa experiência para ambas as partes.

    Beijo!

    Curtido por 6 pessoas

  2. Narrativa futurista que luta contra o individualismo e sentimentalismo e cultua em contrapartida a mudança, a velocidade, a produção, a máquina.

    A criação da protagonista e o enredo seguiu, com precisão a proposta de Desafio, com muita ação e aventuras arriscadas. Parabéns pela habilidade inventiva e pela sensibilidade às duas autoras, da personagem e da trama! O conflito foi bem trabalhado, com uma estrutura não-linear e bem amarrada, que gerou suspense: um mundo futuro sem atrativos, em que é necessário praticar crimes para conseguir sobreviver (Mesmo que, no texto, esta seja uma referência bem sutil.). É muito melhor agir do que deixar que as coisas correrem livremente.

    As frases curtas e reiterativas impregnam o texto de dinamismo, principalmente no epílogo. Também gostei muito do recorte de jornal, criativo e sugestivo. Ótimo trabalho! Beijos.

    Curtido por 5 pessoas

  3. Um conto ágil, onde a protagonista se mete num trabalho criminoso, e perigoso, para ajudar o seu irmão que precisa de dinheiro para se operar. A autora fornece à protagonista um diálogo interno através do qual busca reforçar esta motivação talvez no intuito de não transformar Sayu em uma vilã. Pessoalmente eu acho que não era necessário este esforço. Acho, inclusive, que um pouco de fraqueza e maldade faria da motociclista uma personagem mais humana. Acho que tenho uma certa implicância com personagens heroicos; Fiquei sem saber quem era Kako. Ele ou ela só aparece uma vez, em um momento em que a Sayu quer saber mais sobre Max. Acho que quanto menos personagens, menor será a chance do leitor se dispersar na leitura. Adorei o final. Foi surpreendente, foi bacana, foi punk e não perdeu o valor mesmo diante da revelação do início, foi o ápice do conto. Só o final já vale um dez. Parabéns e sorte no desafio.

    Curtido por 6 pessoas

  4. Olá, querida amiga Contista!
    Nossa, que história legal! Que ótimo uso da linguagem e que precisão na ação! Amei! Conto ágil e fluido, muito bem pensado e executado, simples e direto!
    Começar com o final foi muito interessante, mesmo tirando o mistério se ela mataria ou não, foi ótimo acompanhar o porque ela matou.
    Você tem pleno domínio sobre o leitor, é muito difícil fazer isso!
    Ótimo uso da personagem, a ficha era sucinta e direta e vc fez conto exatamente assim, mesmo assim conseguiu aprofundar a Sayu. Amei!
    Parabéns!!!
    Um abraço!

    Curtido por 5 pessoas

  5. Outro conto bem fiel à personagem proposta, mas aqui a autora criou várias camadas a mais, o que ajuda a aprofundar o suspense. A linguagem que mistura toques de filme noir com filmes de ação de Clint Eastwood, me fez sentir diante de uma tela de cinema, dá pra “ver” seus personagens, o cenário, o clima, a poeira no ar. Também adorei o charme da matéria de jornal. Apesar da história se passar num futuro próximo, me pareceu muito com os dias de hoje. Talvez um sinal para nós aqui de 2019… Gostei dos cortes que você dá à história, levando-a para frente e para trás, o que traz movimento à trama e mantém o leitor interessado. O final bem arrematado, linkado com o começo, pode parecer clichê, mas se encaixa muito bem com o estilo do texto, pelo menos a meu ver. Parabéns pelo conto!

    Curtido por 5 pessoas

      1. Sim. Foi o que quis dizer. 2035 é logo aí. Então, não teríamos muitas mudanças na paisagem urbana. Teríamos sim, mudanças nas questões tecnológicas e, estas, estão no contexto, uma vez que se fala das corporações detentoras da tecnologia, e da própria tecnologia, pelo fato de haver uma cirurgia capaz de fazer alguém voltar a andar.

        Curtido por 1 pessoa

  6. Olá, contista, tudo bem? Não percebi em uma primeira leitura o cenário futurista. Talvez tenha me fixado demais na protagonista, bastante promissora.
    Gostei de como desenvolveu o enredo, costurando a trama com um tom de suspense.
    O final também me pegou de jeito, não esperava essa reviravolta. Sayu conseguiu o dinheiro para a cirurgia do irmão, mas a que custo?
    Leitura agradável, agilizada pelo ritmo de ação empregado à narrativa.
    Bom trabalho!

    Curtido por 5 pessoas

    1. Cláudia,
      Um cenário futurista em 2035 não seria muito diferente, eu creio, até porque o futuro que está na história é o futuro de poder fazer uma cirurgia e voltar a andar como antes. No sentido tecnológico, o futuro está presente, mas no cenário, não vejo como ser muito diferente de agora.

      Curtido por 2 pessoas

  7. Olá, Contista! O destaque aqui para mim foi o controle que você demonstrou no tensionamento da narrativa. O efeito sobre o leitor é o total engajamento na ação. Muito bom! Como a Claudia, também não observei elementos que situem a trama numa temporalidade futura. As referências à mercantilização da medicina soaram tristemente contemporâneas. A estrutura do conto, muito bem planejada e executada, além de demonstrar a qualidade técnica da contista, valorizaram o conto. Sobre a protagonista, talvez a narrativa pudesse ter aprofundado um pouco mais o conflito ético dela, ou então , como sugere a Iolanda, tê-la temperado com algum traço mais sombrio ou cínico. Por outro lado, nesse estilo de narrativa escolhido, heróis mais planos funcionam muito bem. Nesse sentido, sua escolha talvez tenha sido a mais acertada. É isso, amiga contista. Um ótimo conto! Beijos!

    Curtido por 6 pessoas

    1. Elisa…
      Como já respondi nos outros comentários, um cenário futurista em 2035 não seria muito diferente do que temos hoje, no meu entendimento. Na ficha, ficou em aberto para poder ser depois de 2035, mas eu optei por ser 2035 uma vez que o futuro está na tecnologia – a cirurgia para que o irmão volte a andar.

      Curtido por 2 pessoas

  8. Um conto bem bacana, com desenvolvimento rápido e muita ação. Para se encaixar no futurismo a autora poderia ter escolhido um ano mais longe que 2035 e incrementar com outros elementos, tipo uma moto futurista, quem sabe. Nós, seres humanos, somos capazes de qualquer coisa para salvar quem amamos, eu acredito nisto e Sayu também.
    Bjs ❤

    Curtido por 5 pessoas

  9. Como assim terminou?

    Olá, contista!

    Me envolvi com a história e quando terminou me senti órfã. Haha! Bem, a ficha não propõe um conto futurista, mas sempre que se fala em futuro acabamos imaginando coisas muito mais avançadas. Acho que caberia um reforço nesse sentido para demarcar melhor o tempo, como por exemplo mencionar drones, tecnologias sobre exames médicos, cirurgias sem cortes, microchips para reativar conexões perdidas nas funções motoras (estímulos cerebrais), dinheiro virtual (biticoins)…
    Gostei bastante da personagem e de como as coisas vão se afunilando e deixando ela sem escolha e sem tempo.
    Em algumas passagens eu até senti o ronco do motor e me vi na moto (gosto muito de estar na garupa de uma moto, mas sei que é perigoso).
    Conto dinâmico, com cenas de ação que agilizam as coisas. Diálogos curtos que também dão conta do recado no sentido de fazer o conto correr.
    Parabéns!

    Curtido por 4 pessoas

  10. Olá, Contista! Há uma magia que permeia a história de quem sabe contar um conto, a sequência de ações nos enleva e nos leva para a frente e para trás sem que o leitor se dê muito conta disso. Embarcamos nessa aventura com Sayu, seu dilema que abre o conto e que o termina com a decisão tomada. Isso tudo sem contar com a arte, que é um extra de primor nesse conto de ação tão primoroso. A visão meio apocalíptica do futuro está nos detalhes, as gangues, os desfavorecidos que não têm acesso ao avanço tecnológico nem à assistência médica adequada, a cirurgia reparadora que restaura o movimento das pernas. Um belo trabalho. Parabéns.

    Curtido por 4 pessoas

  11. Olá, Contista. Neste conto encontrei as melhores frases do desafio, tem uma série delas perfeitamente fantásticas, destaco a primeira que me empolgou: “A espera é um animal voraz comendo de dentro pra fora.” e nem acrescento mais, pois foram bem uma meia dúzia delas. O conto não foi o meu favorito, mas tem, sem dúvida, as melhores frases do desafio, aquelas que fazem qualquer texto merecer ser lido. A adequação à ficha recebida está lá, uma vez que num futuro tão próximo não é de esperar alterações estruturais muito bombásticas e os elementos dados foram acatados e desenvolvidos. Faltou alguma ambientação, ainda assim e foi estranho encontrar uma certa superficialidade nos personagens, combinada com a profundidade das afirmações que vão pontuando o desenvolvimento do conto. Parabéns, Um beijo.

    Curtido por 4 pessoas

  12. Que conto interessante!! Que trabalho bem feito!!
    Eu acredito que vi no texto a falta de sintonia da autora com o tema, há uma dicotomia, digamos, entre as frases belas e detalhistas e poéticas até com as falas das personagens (alias o dialogo com o irmao ficou um tanto formal demais), mas isso nao tirou o brilhantismo deste trabalho, que primou por nos trazer uma narrativa lógica, bonita, adequada à ficha e emocional acima de tudo, através da eficiencia em revelar os pensamentos/sentimentos da protagonista.
    Parabens, contista!!

    Curtido por 3 pessoas

  13. Olá querida contista,

    Minha primeira intenção de comentário seria apenas escrever aqui: “quero escrever como tu quando eu crescer!”. Só.

    Mas não dá, né?! Aí me pergunto: por que as pessoas leem tanto literatura estrangeira e, principalmente, escrita por homens, se tem escritoras brasileiras que escrevem tão bem, como tu?
    Cadê os editores?

    Tudo, do início, passando pelo desenvolvimento, até o fim, é bastante imagético. Eu estava dentro de um filme. Foi tudo muito bem alinhavado e muito bem escrito. Sem dúvidas, um dos melhores do nosso desafio.
    Fico bem delineado à ficha e mais: a Sayu nasceu aqui mais vigorosa e astuta.

    E adorei o toque do jornal homenageando outro conto do desafio!

    Parabéns!

    Curtido por 3 pessoas

  14. Gente, que história! Estou muito feliz com o desenvolvimento dado à Sayu. Sem dúvida, é uma personagem com a capacidade de render muitas histórias. Antes de ler o texto, talvez influenciada pela imagem, tive uma impressão que se confirmou quando comecei a ler o texto, ou seja, Sayu é bem da forma que eu imaginava e ler sua história foi como assistir a um filme de ação. Eu só posso te agradecer e dar os parabéns pela imaginação e pela condução do texto na medida certa. Então, parabéns!

    Curtido por 2 pessoas

  15. Oi, Contista!
    Você escreve é bem, hein? Primeiramente parabéns pela criação, condução e finalização da ficha. Confesso que eu teria dificuldades demais em dar vida à essa personaem, mas você o fez com excelência.
    Parabéns também à criadora da ficha.
    Como é difícil ser a última a comentar….todo mundo já falou o que eu ia falar rss
    Bom, não vi um ambiente futurista na trama, mas vi muito de umanidade (apesar da aparente tentativa de não ser) na personagem que salva o irmão – é, tudo tem seu preço e a conta chega.
    Acredito que esse conto seja um dos primeiros lugares, merecidamente!
    Boa sorte e beijinhos!!

    Curtido por 1 pessoa

  16. Querida Evelyn,
    Parabéns pelo conto.
    Comecei a ler, sem conhecer a ficha e pensei, nossa, deve ser o futuro, afinal, ainda não é tão fácil uma cirurgia para alguém voltar a andar…
    Amei a aventura na trama, como quase tudo que leio seu. Muito dinâmico. Gostei. 😉
    Beijos
    Paula Giannini

    Curtido por 1 pessoa

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