Além do tempo – (Queluz)

I

O mesmo sonho recorrente, desde que Manuela partira. Uma linda mulher vinha ao seu encontro, chamando-o pelo nome, como se o conhecesse há tempos. Ela sorria e o abraçava, alegre, dizendo: “Eu ainda estou aqui! Sou eu, a sua Manuela!”

Abelardo acordava, sobressaltado, com aquelas frases ecoando em seus ouvidos. “Eu ainda estou aqui! Sou eu, a sua Manuela!”

Levantou-se e foi para o convés do navio. Em algumas semanas estaria novamente pisando em solo português. Com a morte de Manuela, decidiu que não havia mais o que fazer ali, partindo para bem longe, primeiro para a Ilha da Madeira, depois chegando às terras brasileiras, estabelecendo-se na Província de São Paulo como comerciante. Não podia reclamar de sua sorte. A pobreza tinha ficado no passado e muitas vezes Abelardo sentia como se, de alguma forma, Manuela estivesse com ele, a protegê-lo, a dar-lhe sorte, a guiá-lo, mostrando sempre o melhor caminho. Mesmo depois de sua morte, ela era o seu anjo.

Aquele sonho, cada vez mais frequente, tinha feito com que resolvesse retornar a Lisboa. Visitaria o túmulo dela. Agradeceria-lhe. Contaria todas as aventuras e vitórias daqueles três anos. Talvez o sonho tivesse razão de ser por aquele motivo, ele precisava visitar o túmulo dela, deixar-lhe flores. Agora, que tinha posses, pagaria a um funcionário do cemitério para que cuidasse do túmulo e trocasse as flores antes que murchassem. E voltaria, sempre que fosse possível.

Só não conseguia compreender por que Manuela não era fisicamente ela nos sonhos. Sua esposa era muito bonita, mas de alguma forma a mulher dos sonhos despertava algo perturbador nele, não conseguia compreender o que era. Fica a imaginar se um dia ela apareceria na vida real à sua frente, dizendo aquela frase. Imaginaria também qual seria a sua reação.


II

Mais uma vez, Heloísa se viu parada diante do túmulo de Manuela. Ficou tão absorta em suas lembranças que somente depois de certo tempo foi que percebeu os apelos do menino Carlos a chamá-la. Aos dez anos, o menino aparentava extrema delicadeza no olhar, como se a envolvesse com todo o amor que podia sentir por ela, sua mãe.

Desde o despertar de Heloísa, três anos haviam se passado. Naquele curto espaço de tempo, ela aprendera a amar o menino como se fosse realmente sua mãe, a verdadeira. Às vezes gostaria de lhe contar a verdade, mas como ele acreditaria em algo tão louco quanto o seu retorno à vida? Como dizer que ali, ocupando o corpo de Heloísa na verdade era Manuela quem estava, com todas as suas lembranças de quando fora feliz ao lado de Abelardo?

౼ Por que a senhora vem aqui às vezes? Quem era Manuela?

౼ Era uma amiga. De muito tempo, querido. Nós… crescemos juntas.

౼ Sua amiga era bonita? Ela morreu jovem… Ela ficou doente? ౼ O menino fez uma pausa nas perguntas, observando atentamente as datas marcadas na lápide, fazendo mais uma pergunta, com um tom maior de surpresa na voz. ౼ Mãe, ela morreu no dia em que você acordou…

Heloísa acariciou o rosto do menino, tão parecido fisicamente com o pai, olhos esverdeados, cabelos negros, mas ao mesmo tempo tão diferente nas atitudes. Levavam o mesmo nome do avô. Para ela, aquilo era uma infelicidade. Carlos II, seu marido, em nada tinha de delicado, nem no olhar, muito menos em suas atitudes. Após despertar, por um breve tempo, o esposo tinha se mostrado gentil e preocupado com o restabelecimento da saúde de Heloísa. Alguns meses depois, porém, retomara a rotina: viagens de negócios, assuntos a tratar por toda a Europa, alguns lugares da Ásia e até mesmo na África e na América, assim que o médico garantiu que a melhora de Heloísa dependeria apenas do tempo e era muito incerto se sua memória voltaria ou não.

Naqueles três anos em que ela aprendera a viver como Heloísa, assim que mostrou que quase seria como a mulher que diziam ter sido antes do coma, pouco convivera com o marido, ou mesmo com a sogra. Já com a criança tinha sido diferente. Estavam sempre juntos e ela devia muito ao menino, por tantas coisas que tinha aprendido com ele, com a desculpa de que o ano e meio em que estivera dormindo, de alguma forma, tinha causado a perda de memória quase que total, principalmente dos fatos de sua vida, dos corriqueiros aos mais significativos.

O menino lhe ensinara o latim e o francês que já sabia e melhorara o seu português. Ensinara-a a ler e a escrever além das poucas palavras que conseguia decifrar. Ensinara-a a desenhar e a pintar paisagens e até mesmo a dançar a valsa, apesar de Heloísa não gostar dos momentos em que era necessário que dançasse. Ainda bem que não eram muitos, pois preferia não comparecer à maior parte dos convites e às vezes até intimações de sua sogra.

E tudo isso causara um grande estranhamento no menino. Carlinhos, como era chamado pela mãe, apenas por ela, tinha ficado com todos os cadernos de desenho da mãe e se lembrava do quanto ela gostava de sair, ir a bailes e festas no Palácio Real, de passear em meio às árvores e flores dos passeios, de promover festas nas datas mais importantes e receber as pessoas mais importantes da sociedade lisboeta, sendo sempre o centro das atenções. Mesmo que na época fosse ainda menor, com seus cinco, seis anos, era comum que Carlinhos escapasse da ama e espiasse pelas portas e atrás de pilares e corrimões das escadas.

౼ Eu acho que ela era bonita, sim, mas era muito diferente de mim, em tudo. Ela ficou muito, muito doente. Ela morreu e eu nem pude me despedir dela como gostaria. Por isso venho aqui… Agradeço por me fazer companhia sempre, querido. Vamos voltar? Daqui a pouco escurecerá e…

౼ Então você era amiga de Manuela?

A frase foi dita por uma voz desconhecida para o menino e conhecida por Heloísa, a ponto de fazer com que seu coração disparasse, mesmo antes de se virar e poder ver o homem parado ali, a esperar pela resposta dela.

Era Abelardo.

Foi como se Heloísa perdesse o chão debaixo de si. Lá estava ele, à sua frente, o cabelo cortado de forma mais elegante e vestido em trajes que nada lembravam as roupas puídas que usava quando o conhecera. E mesmo na época dos trajes puídos, ele era o homem mais lindo que ela já tinha visto na vida.

Entristeceu-se, ao perceber que não poderia correr para os braços dele, não poderia dizer que era sua esposa, Manuela, que o amava com todas as forças do seu ser, como sempre amaria. Porque não era mais, de alguma forma Manuela estava em algum lugar dentro de si e agora ela era mais Heloísa, tornara-se Heloísa… E como explicar que, sendo outra depois da morte, o amava tanto quanto Manuela, ou ainda mais?

౼ Fomos muito amigas antes de se casarem. Era o esposo dela, não era? Abelardo… Quando eu me casei, perdemos o contato. Infelizmente meu marido não queria que eu tivesse contato com ninguém do meu passado e…

౼ Quem é você?

౼ Heloísa. Heloísa Duarte de Queiroz, sua criada… 

Abelardo gargalhou, para espanto de Heloísa.

౼ Heloísa? Duarte de Queiroz? Manuela jamais teria amigos do seu círculo social, senhora. Ela nunca me falou nada a respeito de ter uma amiga Heloísa. Vai ver ela lavava as roupas da sua família, pois não?

౼ Sim, mas acabamos por criar uma amizade. Claro que não vista com bons olhos por minha família, por essas estultices da sociedade, mas eu me lembro dela, sempre alegre e… e tão apaixonada… A última vez em que nos vimos estava feliz porque vocês se casariam em breve. Ela o amava demais e certamente era recíproco.

౼ Eu cheguei ontem a Lisboa, depois de ter partido logo depois da morte de Manuela. Seria incômodo se eu a procurasse para conversarmos? Devo adiantar à senhora que estou confuso demais com tudo o que me contou. E talvez a senhora possa me ajudar a cumprir algo que prometi a ela em pensamentos.

౼ Sim, claro, eu… Poderíamos conversar no jardim que há aqui ao lado. Eu sempre venho com meu filho por volta de hora e meia antes do anoitecer. Onde está hospedado? Mandarei uma confirmação por um criado, ainda hoje.

Abelardo concordou, dando o nome da estalagem e se despediu da mulher e do filho dela. Depois que ele desapareceu no horizonte, após olhar algumas vezes para trás, o menino quebrou o silêncio.

౼ Você virá aqui amanhã?

౼ Eu… sim, virei. Acho que devo algumas explicações a ele. Parece que ele precisa saber de muitas coisas sobre Manuela. Ele… tem o direito de saber, não tem?

O menino concordou, com um leve movimento de cabeça.

౼ Então é melhor vir sozinha. Vocês devem ter muito o que conversar, não é mesmo? É claro que não contarei à minha avó, muito menos ao meu pai, quando ele chegar. É o que deve ser feito, eu acredito.

Heloísa não respondeu, mas achou estranha a expressão do menino enquanto ele dizia tudo aquilo. Por um momento, a sensação foi a de que ele parecia saber de algo.


III

Ao despertar na manhã seguinte, Abelardo tinha ainda na memória o mesmo tom de voz suave que ouvira quando Heloísa dizia em seus sonhos que era “a sua Manuela”. O tom de voz tinha se tornado real e o som era ainda mais doce.

Heloísa, uma mulher casada, mãe de um belo garoto, uma dama da sociedade lisboeta… O que ela teria a ver com Manuela? Ele nunca tinha se encontrado com ela antes da tarde do dia anterior…

Pegou o bilhete entregue na noite anterior pelo criado da família Duarte de Queiroz. Curiosamente, Heloísa desmarcava o encontro no jardim ao lado do cemitério. Pedia que fosse a outro local, em outro horário, ainda na parte da manhã.

Ele não conseguia entender o porquê daquela atitude.


IV

Enquanto seguia para o local do encontro a cavalo, Heloísa se perguntava se ele estaria lá. A atitude de mudar o combinado do encontro era realmente estranha, mas a mulher sentia que não conseguiria esperar até a tarde para voltar a ver Abelardo e contar-lhe tudo o que acontecera, não importava que não acreditasse nela. Contaria, pois talvez fosse a única chance. Certamente a chamaria de louca, insana, mas não se importava. Depois contaria a Carlos também, de alguma forma acreditava que ele entenderia.

Na floresta, à margem do riacho, lá estava Abelardo. Sentiu-se aliviada. Em pouco tempo, tudo estaria terminado e aqueles três anos de angústia e segredo terminariam. Desmontou do cavalo e o prendeu a uma árvore para que pastasse um pouco. Depois foi se aproximando do homem, enquanto falava o que vinha à mente:

౼ Senhor Martins, logo entenderá porque mudei o local do encontro…

౼ Aqui foi quando vi Manuela pela primeira vez, lavando algumas roupas… Por que aqui?

౼ Quero que saiba que o contarei será muito, muito estranho, mas…

౼ Você tem aparecido nos meus sonhos, com muita frequência. Você vem até mim, me abraça e diz que é a minha Manuela. Você sorri como ela sorria. Eu sinto o calor do seu corpo, como sentia o dela. Foi por isso que voltei, achei que era um pedido de Manuela para que eu visitasse seu túmulo, mas nunca entendi porque era você e não a fisionomia dela que eu via nesses sonhos absurdo… Desculpe dizer tudo isso, assim, em um arroubo… Eu só queria entender e…

౼ O seu sonho diz a verdade. Talvez ele seja premonitório…

౼ O que diz, senhora?

౼ De alguma forma, naquela noite em que Manuela morreu, ocupou outro corpo. Esse aqui, o de Heloísa. Ela estava dormindo há mais de um ano. E, quando despertou, não era Heloísa, apenas o corpo era o dela… Mas a alma… A alma era minha. A alma de Manuela, a minha alma. Eu sei que isso é inexplicável…

౼ A senhora tem razão. E como poderia a senhora ser a minha Manuela?

Heloísa levantou um pouco a saia do traje de montaria até a altura do joelho e deixou à vista uma marca idêntica a uma que Abelardo sabia ser igual a que tinha Manuela, desde que a conhecera.

౼ Essa marca, senhora…

౼ Foi aqui, nesse riacho, enquanto lavava roupas, Manuela caiu e se machucou. A marca nunca mais saiu. E você… Você a beijava sempre que ela… que eu dizia que não gostava que visse essa cicatriz.

Abelardo surpreendeu-se com os detalhes.

౼ E a senhora sabe de mais algum detalhe?

౼ Todos. Qualquer um. De como seus pais morreram no incêndio, deixando-o só no mundo, com apenas doze anos… De como fazia tudo que era tipo de serviço que podia um menino fazer, para ter o que comer. De como teve um gato de estimação e repartia sua comida com ele, por mínima que fosse a porção. O gato foi atropelado por uma carruagem e ainda sobreviveu um bom tempo depois, mesmo sem uma das patas… 

E contou a ele de como estava frio no dia em que se conheceram, ela quase congelando, tendo que lavar a roupa para poder receber algumas moedas e comer alguma coisa, pois há dias não comia nada.

౼ Você me ajudou a lavar a roupa, assim terminaria mais rápido. E fez uma fogueira para que eu me aquecesse depois… E foi a primeira vez que tomei conhaque, porque você disse que ia me esquentar. E depois me confidenciou que o conhaque foi para criar coragem de me beijar… Ou será que foi para me embebedar e conseguir o que queria mais fácil? Eu o amei desde o primeiro instante, Abelardo, não necessitava acreditar que só bebendo um pouco de conhaque conseguiria me beijar… Eu nunca quis beijar alguém antes como quis beijá-lo naquele dia e…

Heloísa foi silenciada pelos lábios dele, o beijo fazendo lembrar o primeiro, talvez agora com um pouco mais de urgência. O gosto do beijo, de forma mágica, era o mesmo. A explicação para aquele sonho sem nexo só podia estar nas palavras dela… e as palavras dela não podiam ser inventadas, não havia como ela saber de tudo aquilo. Aquela mulher pronunciara até o sobrenome que ele escolhera ao se casarem, já que ele não se lembrava mais do nome e sobrenome dos pais, talvez até porque eles na verdade não tinham, ou não se importavam muito.

౼ Manuela, Manuela… Eu a chamarei de Heloísa, mas por ora quero chamá-la pelo nome antigo. Eu não sei o que fazer, há tanto a dizer… Eu acredito em você, Manuela, acredito.

౼ Eu sei. Eu sei, meu querido…


V

౼ Eu já sabia que a senhora não era a minha mãe.

౼ Como assim, Carlos?

Heloísa voltara do encontro com Abelardo com uma decisão a ser tomada. Ir embora com Abelardo para o Brasil? Ficar ali com Carlos? O garoto tinha apenas dez anos. Mas ao mesmo tempo era tão maduro para sua idade, mais do que qualquer criança.

౼ Quando a senhora começou a acordar, só eu estava no quarto. Eu ouvi você chamando o nome daquele homem. Você dizia “Abelardo, por favor, não me deixe ir embora. Eu não quero morrer, Abelardo”, a senhora dizia isso muito angustiada. Bem, na época eu tinha só sete anos, mas não quis contar para ninguém, a senhora sabe, mamãe, que eu não gosto muito do meu pai, nem da minha avó… Eles dizem coisas e se comportam de um jeito que eu detesto. Eles não são bons… Ontem eu tive certeza de que a senhora não era a minha mãe de verdade.

Heloísa abraçou o menino e chorou. Como conseguiria deixá-lo ali, com aquela família que não se importava com ele? O garoto pareceu ler seus pensamentos.

౼ Você contou a ele quem é de verdade, não contou? Você vai embora com ele?

౼ Eu… eu não sei, querido… Ele é o único homem que eu, Manuela, amei na vida. Mas aprendi a gostar de você, garoto, gosto de ser sua mãe, tudo o que me ensinou é tão precioso pra mim… Como eu deixaria você aqui? Você viria comigo?

౼ Eu fico feliz pela senhora. Eu fui feliz sendo seu filho. Acho que é melhor não acompanhá-los. Acredito que meu pai iria atrás se isso acontecesse. Se só a senhora for, ele provavelmente não vai fazer nada, antes do coma ele já tratava a mamãe como um nada… Ela era muito infeliz. Então não quero que a senhora seja, de forma alguma.

౼ De alguma forma, vamos manter contato.

౼ Sim, ano que vem é hora de eu ir para o internato, na França. Posso escrever de lá. E podem me visitar também… E quando eu sair de lá, irei visitar os dois. Não fique com medo, tudo vai dar certo.

౼ Sim, vai sim… Você é um menino maravilhoso…

౼ Quando a senhora parte?

౼ Hoje de madrugada sairemos de Lisboa para qualquer outro lugar de onde possamos embarcar em um navio para o Brasil… Aproveitando que sua avó toma aqueles remédios que a fazem dormir profundamente.

౼ Sim, é melhor. Pela última carta do papai, ele ainda deve demorar várias semanas para voltar.

Os dois se abraçaram fortemente e choraram, em um misto de alegria e de tristeza, por um longo tempo.

౼ Acho que devemos fazer alguma coisa, aproveitar essas últimas horas juntos. A próxima vez será depois de um longo tempo. 

Heloísa assentiu, sentindo-se tranquila diante do sorriso do pequeno Carlos.

_____________

Em tempo: apesar da história se passar na Lisboa da primeira metade do século XIX, a autora buscou manter a gramática contemporânea do Brasil, um pouco mais formal apenas.

Personagem que inspirou essa história. 

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17 comentários em “Além do tempo – (Queluz)

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  1. Esse desafio foi muito interessante, porque a gente acaba tendo vontade de escrever sobre todos os personagens! Mas escrever sobre apenas um já dá tanto trabalho que parece que a gente não vai conseguir. Gostei do desfecho que você deu para a história, mas achei o conto muito descritivo, em alguns pontos explicativo. Não senti a emoção ali e acho que esses personagens deviam ser cheios dela. Porque deve ser muito angustiante acordar num corpo que não é o seu. O conflito da Manuela é algo muito forte e profundo. Eu fiquei esperando sentir isso quando li o texto, mas não aconteceu. Talvez se experimentasse escrever em primeira pessoa, essa emoção aflorasse mais, não sei. Mas sei do tamanho do desafio de escrever essa história, Manuela é uma das fichas mais difíceis, na minha opinião. Boa sorte no desafio!

    Curtido por 6 pessoas

  2. Um personagem e tanto! Missão difícil desenvolver o enredo dessa ficha. No entanto, a autora conseguiu elaborar a trama conforme o solicitado. Fiquei com a sensação de que a ideia englobava mais do que o limite permitido, ou seja, a contista teve de espremer a narrativa. Talvez, tivesse ganhado espaço caso cortasse algumas explicações nem tão necessários, deixando por conta do leitor tirar suas próprias conclusões. Mas é um conto romântico, com toques de Sabrina, Bianca, Bárbara, Júlia, etc. O final não determina o destino da personagem, apenas uma possibilidade. Bom trabalho!

    Curtido por 5 pessoas

  3. Olá, Contista! Tive vontade de escrever sobre esse terno conto, com uma personagem numa situação inusitada, acordar no corpo de outro alguém. A narrativa esmerou-se num enredo muito bem urdido, a sequência das ações é cativante e impecável.No entanto, é o conflito o fio condutor de um conto, então, analisando sob esse enfoque eu vejo que ele se divide em dois: o primeiro conflito surge ao acordar no corpo de outra pessoa e o segundo conflito sobre a decisão a tomar : se segue com seu grande amor ou fica com o ‘filho’ e é exatamente nesse elemento (o conflito)que o conto perde um pouco da força, sem torná-los viscerais à personagem. Tudo se passa meio ‘morno’ nesse quesito, meio que as coisas vão se resolvendo, ela apenas segue o fluxo de outros personagens. No mais, um trabalho muito bem desempenhado que aguça a atenção do leitor até o desfecho. Boa sorte no desafio.

    Curtido por 6 pessoas

  4. Olá, Contista querida,

    Parabéns efusivos!
    Eu me senti lendo um romance romântico. O desenrolar do conto foi bastante fluido e convenceu. Eu não sei se conseguiria agregar tantos elementos de época ao conto. A linguagem está ótima.

    Apenas uma crítica: eu perdi um pouco o brilho nos olhos ao ler a parte V. Acho que por mais que o menino Carlos fosse prodígio, nenhuma criança teria o discernimento que ele teve, como disposto nos diálogos.
    Pode ser porque eu estava torcendo para ele ir embora com o casal. Acho que foi isso.

    Parabéns! Eu gostei bastante, está muito bem escrito!

    Curtido por 5 pessoas

  5. Um conto lindo! Só fiquei com muita pena do menino, lógico que se ela fugisse com ele o pai iria atrás, então foi o correto, mas mesmo assim deu uma dorzinha no coração, rsrsrs. Personagem dentro da ficha, desenrolar romântico para uma bela história.
    Abraços ❤

    Curtido por 5 pessoas

  6. Olá, querida amiga Contista!
    Que conto lindo! A ficha era ótima, mas muito difícil!! Como todos os contos da Amanda, daria um romance, mas você conseguiu contar a história toda em um conto! Muito bem!! Está muito bem escrito e é muito gostoso de ler, leria o romance todinho, escrito por você, com um sorriso nos lábios. Única coisa que destoou um pouquinho foi o excesso de maturidade e sabedoria do Carlos, a idade é pouca para isso, mesmo passando por tudo que ele passou, mas enfim, isso não diminui o conto, que está incrível, sem dúvidas! Parabéns!!
    Um abraço!

    Curtido por 5 pessoas

  7. Olá, Contista. Esta foi uma daquelas personagens criadas com amplo espaço de manobra, milhões de diferentes histórias poderiam ter sido originadas a partir dela. Você conseguiu dar um bom retrato de época e um enredo interessante que se lê com prazer de fio a pavio. A personalidade do marido atual foi um pouco deixada de lado, pelo menos não consegui ter uma leitura clara sobre ele, já os restantes foram muito bem. Notei logo ao ler e tal como algumas contistas já comentaram, um certo excesso de maturidade do menino, mas depois recordei-me de que a solidão amadurece e que crianças que nascem em famílias ricas e onde nada lhes falta do ponto de vista material mas que são ignoradas enquanto seres humanos por pais demasiado ocupados com o brilho das luzes, essas crianças desenvolvem uma inteligência emocional muito aguda e precoce. O sentimento do menino por Manuela/Heloísa é, nesses sentido, muito pertinente. O menino não tinha como saber intelectualmente que aquela mulher não era a sua mãe, isto apesar da cena a que assistiu no hospital, mas no fundo ele se afeiçoou a essa nova mãe, que o foi bastante mais que a verdadeira, com um amor verdadeiramente filial. O conto faz muito nexo, sobretudo à luz da época em que é narrado e as crianças tinham uma leitura social perfeitamente clara, o que hoje (felizmente) não sucede tanto, uma vez que já não existe uma tal estratificação. Parabéns, bom trabalho. Um beijo.

    Curtido por 4 pessoas

  8. O texto tem pontos de excelência – principalmente pelo fato de tornar ainda mais interessante uma tema como a reencarnação e dar-lhe um ar novo: a volta à vida no corpo de outra mulher que estivera em coma havia um bom tempo e mantendo as memórias da vida anterior. Achei um pouco inverossímil o comportamento do menino.

    A leitura é fluida, a escrita é muito boa. Só senti falta mesmo de mais emoção.

    Parabéns ás autoras da personagem e da trama. Um bom trabalho. Beijos.

    Curtido por 4 pessoas

  9. Que conto! Muito bem escrito, num desenrolar perfeito da trama. Gostei de como as passagens aconteceram e do final, lógico, mas tenho que dizer que o tempo de três anos ficou devendo. Quis saber mais! Como o relacionamento com o marido que não era seu amor foi? Como pode conviver sem amor? Então, ficaram perguntas, mas é puro desejo de saber mais. Parabéns pelo conto!

    Curtido por 5 pessoas

  10. Gostei demais da personagem proposta na ficha e o enredo que você concebeu me agradou bastante. O problema é que a história ficou muito grande para caber em um conto e resultou corrida demais na minha percepção. Faltou espaço para desenvolver o susto da personagem ao acordar num outro corpo, os demais personagens e consequentemente para tornar mais denso o conflito de Heloísa/Manuela. De qualquer forma, o conto tem muitos méritos. Além do enredo, a condução eficiente da narrativa se destacam. Parabéns à dupla pelo ótimo trabalho! Beijos.

    Curtido por 4 pessoas

  11. Outro romance de 500 páginas aqui… hehe
    Amei ler como se estivesse meus livros de romances de época!! Parabéns, contista, trouxeste o clima daqueles tempos em tão curto espaço.. é realmente uma empreitada!!!
    Como já disseram o menino exagerou na inteligencia rsrs mas num romance isto teria sido melhor diluído, o enredo é realmente muito grande!!
    Teria tantas coisas a se trabalhar aí.. a viagem de Abelardo, a conquista da riqueza em terras brasileiras… a sogra..imagina desenvolver esta sogra!! seria o máximo!! o marido e a relação deste casal formado inusitadamente por um fato tão fantástico!
    Poderia o casamento ser uma tragédia, mas depois da ‘entrada’ de Manuela no corpo de Heloísa, ele poderia ter se apaixonado pela esposa… hummm… céus.. minha imaginação pra romances despertou!! hiahua

    Curtido por 4 pessoas

  12. Boa noite, Contista!

    Então, perdi algo no conto? Procurei saber do que a Manuela morreu e não encontrei. Encontrei na ficha. Bem, eu gostei bastante dos diálogos, tem poucas descrições e bastante conversa entre eles. É bom porque acelera, mas eu desejei um pouco mais dos personagens.
    Gostei do garotinho, queria que ele tivesse ido junto.
    Queria mais,enfim. Haha!
    Parabéns!

    Curtido por 3 pessoas

  13. É, aqui temos uma sinopse que daria um romance de no mínimo, no mínimo umas duzentas páginas, haha! Uma vez comecei a escrever um romance sobre uma mulher que viaja para um mundo que está dentro de um livro de época. É parecido com o que aconteceu no conto. E no caso do meu romance, acabei desistindo dele porque achei que não estava conseguindo transmitir o desespero de alguém que passa por uma situação dessas. Fico pensando se a contista teve a mesma sensação ao optar por iniciar o conto dessa forma. Se mais detalhes fossem mostrados, acredito que não seria conto, mas sim uma novela. A sinopse pede, sim, um romance de época e você entregou o que a ficha pedia. O texto ficou com aspecto de não concluído, mas eu gostei do que li, no geral. Imagino que não deva ter sido fácil, rs… Mais um texto que peço à autora para que continue trabalhando nele. E é para isso que serve o grupo das Contistas, não é? Para que quem escreve tenha um norte das outras que leem e comentam. Se for continuar a história, terá todo o meu apoio. Parabéns por cumprir o desafio!

    Curtido por 2 pessoas

  14. Olá, Contista! Obrigada por participar do nosso desafio 🙂

    Enfim cheguei a minha ficha! Te dei trabalho, né? eu sei rsrs mas quando Manuela veio não resistir, é o tipo de história que eu adoraria ler sobre, já que pra escrever é um caminho bem longe da minha realidade. Entendo a dificuldade da Contista em seguir até onde ela a levaria ( embora eu não tenha estabelecido limites)

    Vamos a história. A narrativa é muito boa, você lê sem cansar, com prazer, uma ambientação muito precisa, o leitor gosta, se empolga e de primeira já se afeiçoa aos personagens. O salto no tempo foi uma boa estratégia pra fazer a história andar, já deixar as coisas encaminhadas. Confesso que senti falta do marido, ele seria peça chave. Acho que se fosse eu a escrever, os dois ficariam juntos.

    Gostei de Abelardo, de imaginar suas aventuras, o seu ” seguir em frente” depois de perder a amada tão rápido. Gostei da criança com a mesma ressalva das meninas, apensar de ser muito comum esse amadurecimento diante da sociedade na época, ficou… não sei, foram do tom essa maturidade, não a ponto de ser absurdo, só causou um pouco de estranheza mesmo.

    Gostei da resolução, do final aparentamento feliz, com a promessa de que no futuro o menino irá até ela…quando chegar o momento certo.

    Feliz com o desenvolvimento e por vê que deu certo, o desafio em si.

    Parabéns e obrigada.

    Curtido por 1 pessoa

  15. Meus parabéns à contista secreta e à Amanda. Uma por trazer um conto doce, lindo, fantástico e incrivelmente desenvolvido, e Amanda por criar uma ficha tão especial. Amei!
    O conto nos lembra um conto romântico anos XX, envolve e surpreende.
    Só queria que o pequeno tivesse acompanhado o casal, mas entendi a intenção/motivo dele não vir com eles para o Brasil.
    Meus parabéns!

    Curtido por 1 pessoa

  16. Querida Bianca,
    Parabéns pelo ótimo conto, em parceria com a Amanda e sua ótima personagem.
    O conto de pegada clássica e um conflito muito belo.
    Todo seu talento está aí, em mais este belo trabalho.
    Beijos
    Paula Giannini

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