Anatomia de uma loucura – Sandra Godinho

 

Juliana não podia entender o mal que tinha me causado com aquele beijo. Eu era um psicólogo que, assim como os padres, tinha de manter uma certa postura e, assim como os padres, tinha um dever a cumprir nessa sociedade condenada à danação. Demônios todo mundo tinha e eu, assim como todo mundo, tinha os meus. Era um homem que amava demais as mulheres, por causa disso não podia focar numa só.  Não era um desajustado, apenas um cafajeste. Por isso o beijo foi inapropriado e não pela relação médico-paciente.

Ser um cafajeste implicava ter uma flexibilidade faraônica. Podia ser machão ou sensível, interessado ou indiferente, amante de bossa nova ou de funk, boêmio ou abstêmio, velho ou moço, atlético ou preguiçoso. O que importava mesmo era a transa. Por uma boa transa, eu fazia de tudo. Por uma mulher, eu me punha às margens de um abismo. Por uma mulher, eu perdia o sono, o sonho, o senso. Por uma mulher, eu era capaz de me rastejar por inúmeros caminhos desviados. Por uma mulher, eu amava e odiava. Por uma mulher, caminhos toscos se tornavam grandiosos.

Como psicólogo, sabia que a busca por uma mulher ideal poderia ser a forma pura e simples de procura por uma nova existência. E eu a procurava, com um furor quase místico, em pernas bem feitas, em sorrisos perfeitos, em sensibilidade e inteligência comedidos, mas nada e ninguém me saciava plenamente. Se achava alguém que tivesse uma qualidade especial, faltava outra igualmente importante. Assim, a procura não tinha fim. Segundo Lacan, o desejo era uma transgressão. Segundo Lacan, o desejo era uma falta. Essa incompletude foi a lacuna da minha vida. Talvez devesse lançar mão de um novo método de procura, talvez, se frequentasse a umbanda, ou a igreja, ou algum pai-de-santo, eu teria o desejo realizado, mas eu era um homem da ciência, ou quase (Falei que tinha abandonado o curso pela metade, não falei?), não fumava charuto, não bebia pinga, nunca tinha visto um demônio de chifres, não me contorcia em danças divinatórias. Então, depois de cada transa, e da lacuna ainda incompleta, só o que me restava era um olhar cabisbaixo, um andar deprimido e a sensação de felicidade perdida mais uma vez, como água a escapar pelos dedos.

Depois dos gritos, dos suspiros, dos arpejos, dos grunhidos, dos fluidos trocados (às vezes até depois de lágrimas), eu me via à procura de outro rabo-de-saia, distante anos-luz de me curar da doença que me perseguia desde o tempo em que me entendia por gente. Professoras, colegas de classe, serventes, dentistas, médicas, mãe. Sim, até a mãe. Complexo de Édipo. Freud explicava. Afrodite, Anuket, Dionísio, Eros, Kämadeva e Huitaca também. Nessa terra de desencontros e descaminhos, eu era um errante no limbo dos limbos, um lugar de decepção.

Depois de décadas de sexo desmedido, resolvi ir para Ananindeua de férias, não ia pelo Círio, nem pela pororoca, nem para conhecer o Ver-o-Peso. Descansei na Praça do Santuário à espera da procissão, dos romeiros e dos que pagavam promessas a Nossa Senhora de Nazaré. Talvez eu também tivesse alguma coisa a pagar. Mirei o alto do céu. Um homem da ciência também era capaz de prece. Foi então que encontrei um realejo que trazia um pequeno papagaio como oráculo a sortear papéis como se distribuísse bênçãos. Não sabia que esse seria o primeiro passo da minha derrocada.

O velho me chegou sorrateiro com o papagaio ao ombro, mais parecendo um pirata. Assegurou que o bicho de olhos desorbitados tinha propriedades mágicas, mas duvidei. O animal cambaleava de um lado para outro no ombro do idoso que também me parecia mal das pernas. Ambos prestes a desabar a qualquer momento. Eu os enxotei, não acreditava em misticismo de nenhum tipo, mas o velho insistiu. Permiti que o papagaio me agarrasse um papel, a maneira mais rápida de me livrar deles, e o li em seguida:

“A felicidade está em suas mãos, a infelicidade também.”

Não dizia muito, ou talvez dissesse tudo. Em ambos os casos, não precisava de um papagaio para me dizer o óbvio. Eu me pus a andar, avulso no mundo, sentindo o calor molhar meu corpo nesse lugar que era quase selva. Depois de algumas horas andando pelos ermos, a fome apertou no estômago que reclamava em roncos. Fui a uma barraca de frutas da terra e bebidas regionais e pedi qualquer coisa para comer. Foi quando eu a vi em toda sua suculência, misturada ao cheiro de frutas, na voz maviosa que fazia gosto escutar. Pedi licença para sentar em sua mesa, passei do olhar à conversa e da conversa à cama. Foi aí que fui me perdendo, perdendo o prumo. Uma fraqueza foi me dando e fui me deixando levar por sua pele suave e amorenada, por seu hálito quente perto do ouvido, por toques que foram me comendo aos poucos. Abanquei-me nessa terra de bafo quente, tão sensual que me fez perder o rumo de onde nasci.

Para meu espanto, depois dos gritos, suspiros, arpejos, grunhidos, fluidos trocados com Anay, não senti necessidade de mais ninguém. Ela tinha um corpo perfeito, sem estrias ou celulite, não me atazanava com dietas das quais eu sempre fui impelido a participar, não apreciava novelas ou nenhum outro tipo de dramalhão, por isso não chorava por qualquer coisa. Não havia mais crise de TPM que acabasse com meu dia ou noite. Além disso, gostava de futebol e tinha a voragem de uma fornalha entre as pernas, sabia exatamente o que fazer com meu corpo. E tinha capacidades divinatórias, sabendo dizer se meu dia terminava bem ou mal, lendo com facilidade qualquer pensamento que passasse pela minha cabeça. Era uma mulher como poucas, melhor dizendo, uma mulher como nenhuma outra.

Eu me mudei para lá, montei novo consultório no centro da cidade enquanto Anay trabalhava como massagista num spa luxuoso num bairro mais retirado. Ela me apresentou à sua família, que me recebeu muito bem: um casal de velhos, uma irmã mais velha que já estava casada e um pequeno bebê de oito meses. Eu não podia estar mais feliz. Quando chegava em casa à noite, Anay fazia massagens nos meus músculos cansados e quase sempre acabávamos na cama. Quanto mais ela me acolhia, mais eu me apegava. Logo me acostumei com a visão de sua nudez, a meio do caminho entre a sedução e a inocência, seu cabelo espalhado nos lençóis, as coxas tremendo no momento do gozo. E, quando não estávamos na cama, ela era ainda mais divertida, apertando válvulas de pneus de motoristas que estacionavam em vagas de idosos, comendo amostras grátis servidas como brindes no supermercado e colhendo buquês de flores em jardins avulsos. Seus desatinos quotidianos me deliciavam.

Somente quando começamos a sair com nossos amigos foi que as coisas começaram a mudar. Ou eu mudei, enxergando coisas que antes era incapaz de perceber. O fato é que, sendo espirituosa, Anay dizia sempre as melhores piadas, os comentários mais sagazes, as observações mais pertinentes. Perto dela, meu sangue coagulava por um incômodo que eu não sabia de onde vinha. Um cheiro putrefato começou a rescender por onde eu passava. Comecei a me encolher a seu lado, a me sentir diminuído na alma e no tamanho. Temi desaparecer ao lado da mulher perfeita que ela era. Ela me excedia. E muito. A verdade era que minha mulher me ofuscava. Foi então que pensei em talhá-la, mutilá-la do mesmo modo que ela fazia comigo.

Passei a exagerar nas risadas, fazendo comentários que acabavam soando estranhos e brincadeiras com os amigos que acabavam se tornando bizarras, o que causou tanto estranheza quanto distanciamento dos nossos conhecidos. Já nem dormia direito, acordava suado entre pesadelos que nunca se acabavam enquanto a noite não findava. Compartilhava da opinião de Eduardo Galeano que não conseguia dormir porque tinha uma mulher atravessada em minhas pálpebras, o que, no meu caso, estava atravessada na garganta. Vai ver ela era uma bruxa que tinha me enfeitiçado. Foi por essa época que comprei uma serra elétrica. E não parei por aí. Comprei depois um revólver com silenciador, uma mala de bom tamanho e sacos plásticos resistentes para carregar os pedaços do corpo que eu estava prestes a desfazer.

Confesso, senti certo remorso, afinal, tinha levado uma vida inteira a achar a mulher ideal para me desfazer dela dessa maneira sinistra. Tanto custo para achar. Outro tanto de custo para me livrar. Uma noite, quando cheguei em casa, Anay percebeu meu desencanto e cansaço. Ofereceu-me uma dose de uísque, que aceitei de bom grado. Sorvi a bebida como se fosse um néctar dos deuses, especialmente preparado para mim, o que me envaideceu. Em meia hora fui me apagando, letárgico. Quase imóvel no sofá, vi Anay sumir pela sala e retornar com a serra elétrica que eu havia comprado. Levei um susto. Fui imobilizado à cadeira, compreendi em pensamento que meu fim estava próximo, questão de minutos, ou de consciência. Quem sabe?

– Deve estar estranhando, não é, meu amor? Você não é o único a ser movido pelo desejo, também eu procurei o homem ideal. Conheci muitos, de todos os tipos, o suficiente para conhecer-lhes os pensamentos. Quando percebi o que você reservara para mim, entendi que nosso final havia chegado. Um encerramento indigno de tudo o que fomos, diga-se de passagem.

Eu quis lhe falar, dizer algo a meu favor, mas não podia mexer o lábio, muito menos a boca. Fui apagando aos poucos, ao menos essa gentileza ela me proporcionou. Era perfeita até na morte. A luxúria, é um ponto cego em torno do qual gira nossas fantasias. Nunca reparei que ela podia ter a distância exata entre o paraíso e o inferno.

Tema sobre a luxúria, do livro Olho a Olho com a Medusa, publicado por CJA Edições (2017)

20 comentários em “Anatomia de uma loucura – Sandra Godinho

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  1. Oi, Sandra. Li seu conto enquanto tomava café da manhã hoje. Normalmente tenho lido poesia nesse momento inicial do dia, mas hoje escolhi a sua companhia. É um conto excelente, com uma ótima trama, que surpreende, com dois pontos de virada. Gostei muito desse seu narrador, também; o tom analítico dele, tão de acordo com a índole de um “quase homem de ciência”. Fiquei com vontade de conhecer os outros contos do livro. Um beijo, querida.

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    1. É muito bom receber esse retorno, Elisa! Servem de termômetro e de indicador, se o que escreveu encontrou voz. Sim, são dois pontos de virada e eu quis, usando a voz cafajeste do narrador, surpreender. Os contos utilizaram Tabus como tema, foi uma série que produzi ininterruptamente e publiquei em Olho a Olho com a Medusa, eles traziam uma ironia que acho que fui perdendo com o tempo…

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  2. Adorei o conto, que acaba falando da loucura que é procurar pelo parceiro perfeito. O final inesperado foi bem impactante. E a conclusão do protagonista/narrador me deixou sem ar – ” A luxúria, é um ponto cego em torno do qual gira nossas fantasias. Nunca reparei que ela podia ter a distância exata entre o paraíso e o inferno.”
    Como sempre, você arrasou com a sua incrível habilidade de transformar palavras em algo mais, retrato do verso e do avesso de personagens fictícios ou não. Parabéns!

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    1. Olá, Cláudia!
      Esse retorno é muito gratificante para quem escreve. E ainda melhor saber que teve um parecer positivo. A voz de cafajeste do narrador eu queria deixar bem marcada e com ela, cativar o leitor, ainda sendo ele um asqueroso. kkkkk

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  3. Mas mulher! Que conto! Que narrativa perfeita. Eu simplesmente amei! E que virada final! Pensei que ela não sobreviveria, mas para minha surpresa, não e ficou um final perfeito. Ela estava zilhões à frente dele.
    Parabéns pelo texto.
    Beijos e abraços carinhosos.

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    1. Olá, Evelyn!
      Obrigada pelo retorno, ainda mais sendo tão positivo. A mulher perfeita é aquela que antecipa os passos ou a que aprende as baixezas e o vence no próprio jogo??? KKKK Fica a reflexão!

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  4. Querida Sandra,

    Aí está você como eu a conheci, com narrativas um pouco mais voltadas para o fantástico e sempre mantendo aquele olho incrível na mulher e nas regionalidades, sobretudo, desta região que a acolheu.

    Parabéns pelo ótimo texto, e pelas conquistas que tem merecido tanto com sua literatura impecável.

    Beijos
    Paula Giannini

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    1. Olá, Paulinha!
      São textos que escrevi para o tema TABU, coincidentemente, o mesmo que o Carreira Literária escolheu para a antologia do grupo, eu tinha alguns textos já prontos e, relendo-os agora, tinha neles uma ironia que fui perdendo. Talvez eu deva retomar, sim. Obrigada pelo carinho e pela torcida. Estamos juntas batalhando pela literatura, por esse caminho penoso, mas também gratificante.

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      1. Oi Sandra,
        Sabe que também quero retomar isso? Vamos juntas.
        Beijos
        Paula Giannini

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  5. Sensacional, super interessante e de um fluidez sem máculas. Amei seu conto do primeiro ao último suspiro (do narrador). Uma história que,inclusive, me gerou muita identificação porque meu ex marido sempre reclamava que eu era o centro das atenções mesmo estando entre os amigos dele. Acredito que era apenas por eu ser novidade na turma, por sempre contar piadas novas e sempre puxar a conversa para coisas culturais.

    Seus personagens, os dois, ficaram ultra cativantes, especialmente a moça que parecia uma fonte de prazer eterno. Mas até da melhor comida a gente acaba enjoando. E assim morreu Maria Preá. Neste caso, quem morreu foi o Zé Rolinha.

    Parabéns, Sandra, que delícia foi ler vc.

    Abraços e aguardando seu veredito no meu conto O Brilho Verde da Escuridão.

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    1. Oi, Iolandinha!
      Estou retomando aos poucos. Vou já ler o seu conto que, por alguns comentários que já li, ficou sensacional.
      O problema de se achar a mulher ideal é que o parceiro é imperfeito demais para saber apreciar! KKKkk
      Brincadeiras à parte, a inveja da capacidade intelectual, emocional ou social da companheira é algo mais comum do que parece, infelizmente. Fico feliz que tenha gostado. Um beijo grande!

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  6. Oi, Sandra!

    Excelente conto, misto de suspense, terror, drama psicológico….muito humano, embora pareça às vezes tão distante da nossa rotina.
    O protagonista, buscador voraz de algo que, na verdade, talvez quem sabe e com muito esforço só encontrasse mesmo em algum lugar dentro dele, devora (perfeita definição da luxúria) todas as mulheres que pode, as que se aproximam, incautas – e aí posso estudar um pouco a personalidade narcisista, quase psicopata do homem, que na verdade usa, abusa, suga tudo o que pode de suas presas, antes de partir para novos alvos.
    Eis que encontra, por caminhos um tanto mágicos, Anay, que finalmente – a derrota para uma personalidade narcisista – supera em tudo a performance do protagonista.
    E aí, a reviravolta surpreendente, o gran finale: ele que não tem um final “agradável”, ou seja, até mesmo nisso Anay se adiantou a ele….adorei, magnífico conto, Sandra!!
    Beijos!!

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    1. Olá, Renata! Que bacana esse seu retorno! Sim, quis caracterizar a personagem do predador-machista e, num auto desafio, fazer dele a perspectiva de leitura do leitor. à medida que vamos nos inteirando de sua personalidade nos abismamos, mas tinha de fazer o leitor grudar nele até o final do conto. Aí só a Anay para nos redimir, não é??? Beijos!

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  7. Surpreendente, Sandra. Adorei a forma como foi desenvolvendo e nos apresentando esse enredo interessante . A busca constante pelo inatingível… tão inatiníivel que não nos sentimos preparados para ele, quando o atingimos. Talvez por que o que buscamos nunca esteja do lado de fora. E que final surpreendente. Parabéns.

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    1. Olá, Fernanda! Esse foi o desafio a que me propus, inserir o leitor dentro da perspectiva odiosa de um machista e , ainda assim, leva-lo até o fim do relato, sem deixar que sua atenção se desprendesse do texto até o final. Então fico grata pelo seu retorno. O final tinha que nos redimir, não? KKKKK

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  8. Excelente trabalho, Sandra! É a própria limitação que forja a audácia nesse conto e você nos dá de presente o seu mundo, para nos encontrarmos com suas ideias, na sua humanidade.

    É a segurança de sua técnica, a facilidade com que conduz as palavras que nos atiram nesse mundo fantástico. Aqui temos o retrato do humano que experimenta na consciência o peso de suas possibilidades.

    Parabéns pela lucidez com que retrata o absurdo. Um forte abraço!

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    1. Olá, Fátima!
      Muito obrigada por seu retorno. Esse foi o desafio a que me propus, inserir o leitor dentro de uma mente machista, misógina, narcisista, quase um predador, e ainda assim, segurar o leitor até o final da leitura. Aí, só a Anay para nos redimir, não é? Obrigada pela leitura e comentário.

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  9. hahaha sei que não é de rir, mas eu adorei, bem feito!!! Logo no início já me antipatizei pelo personagem e fiquei torcendo para ele se dar mal, não tãããão mal assim, rsrs, mas ele só colheu o que ele próprio plantou… Bjs ❤

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  10. Ótimo conto, Sandra! De prender a atenção até o final. Bom também por sair do Sudeste, mostrar um pouco de outro cenário ao leitor. Para o enredo que nos apresentou, até que foi escrito em menos palavras do que poderia, isso é incrível também. E finalmente muito bom por mostrar personagens palpáveis, que a gente pode encontrar no nosso cotidiano, ou nos programas policiais, com facilidade. Parabéns!

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