Casal perfeito – Paula Giannini

Eram feitos um para o outro, dizia quem os via assim, aos beijos em pleno meio-dia de uma data qualquer, em frente ao prédio onde moravam. Romeu e Julieta, queijo com goiabada, arroz e feijão, brincavam os amigos.

Eram feitos sob medida.

O céu e o mar, a Bela e a Fera, a faca e o queijo. Eram o cúmulo do cúmulo dos clichês amorosos, e chegavam a “pegar nojo” aqueles que os viam assim, de mãos entrelaçadas, melosos, melados, cheios de risinhos, beijinhos, e mais inhos e inhos. Tudo era diminutivo no vocabulário daquele superlativo e sempre unido casal.

Metades da mesma fruta, na estranha matemática do amor, dois somados, juntos, eram um, e, separados, quase nada. Acordavam juntos, comiam juntos, trabalhavam juntos, sonhavam…

Não se podia pensar nela sem se pensar nele e vice-versa. Chegava-se mesmo a confundir um e outro. Sempre unidos. Onde quer que um estivesse, bastava uma esticada no olhar, para em seguida avistar o outro, saído de trás de alguma prateleira ou árvore no caminho.

Era chato.

Pensar na perfeita conjunção harmônica de um casal assim em supermercados, padarias, baladas, era um tédio.

Sempre os dois.

Sempre aos beijos.

Sempre inveja nas amigas desgostosas com seus relacionamentos rasos e tão carentes de romance.        

Até que um dia…

Silêncio.

“Preciso respirar”.

Foi tudo o que ela deixou escrito no espelho do banheiro com batom vermelho.

Sobre a pia, a escova de dentes que também compartilhavam, para o horror dela, mais tarde ele veio a saber. Assim como, bem mais tarde, descobriu que ela não gostava de filmes de terror, odiava os Beatles e que jamais se sentira feliz durante os intermináveis churrascos de domingo com a família dele.

Ela se foi.

E nada mais foi dito.

Sumiu como somem as lagartixas durante o inverno. Não que ela fosse uma. Mas seus pés gelados metidos entre as pernas dele, nas noites frias, foram as primeiras coisas que realmente lhe fizeram falta naquele dia.

Sumiu sem deixar vestígios ou pistas sobre a enigmática frase, escrita no banheiro com um batom que nunca usou.

Batom vermelho.

– Exagerado. – Dizia ele.

– Não combina com o meu tom de pele. – Ela sorria amarelo, com ar evasivo..

Ela foi embora como quem separa em duas as partes de uma laranja. Foi embora sem deixar claro a ele se queria respirar por um dia, por um mês ou se para sempre arfaria sem ele, livre e desimpedida.

Silêncio.

Tudo que ele ouviu naquela noite foi o som do próprio ronco. E acordou assustado com aquilo que, estranhamente, pela primeira vez escutava. Se assustou consigo mesmo e não pregou mais o olho. Fritou na cama por horas a fio, até que foi vencido a passar o resto da madrugada procurando vestígios da ingrata que agora respirava livre de seu apavorante ressonar noturno.

Abriu gavetas, armários e portas. Revistou bolsos, bolsas, carteiras. Nos frascos de perfume se demorou um pouco mais, tentando sorver o cheiro da desumana criatura que sumira deixando para trás todos os seus pertences.

Não levou nada.

Computador, celular, os vestidos que tanto amava. Deixou para trás uma história que agora ele vasculhava sem pudor ou reserva alguma. Revirava a vida de sua amada, como quem comete um estupro. Surto de fúria. Rasgava livros, desfazia nós, arrancava forros de casacos. O monstro que habitava seus esgotos acordava agora com uma fome que ele jamais imaginou possuir. E agora ele se alimentava dela, caçando furioso um motivo para tão súbito…

Buscou a palavra em vão.

Rompimento.

Rasgava a alma de seu amor, estraçalhando a facadas o estofado de um sofá de estimação. Herança da avó. A única coisa que ela havia deixado para trás com dor no coração. Também disso, bem mais tarde, veio a saber pela boca de estranhos.

O dia já nascia quando ele abriu a porta do armário do banheiro, destampando potes de cremes. Tantos… Se lambuzou, meio alucinado, do néctar da juventude daquela bela e cruel criatura.

A fera dentro dele tinha fome.

E, ao se olhar no espelho, a figura desgrenhada e suarenta estampava olheiras da noite insone e sem comer. Sentiu prazer com o que viu, antes de quebrar o próprio reflexo com um soco. O grosso sangue que escorreu não era o seu, mas o da vil mulher que já não precisava dele.

Só queria respirar.

Abriu a janela e arfou a manhã como um bicho, enquanto subia no parapeito urrando aos vizinhos que, também ele, agora era livre.

Olhar para baixo e ver a cidade acordando, do décimo segundo andar, lhe pareceu o mais acertado a fazer. Soltar as mãos que doíam dos estilhaços que ainda lhe cravavam a pele foi ainda mais fácil que gritar.

Fechou os olhos.

E soltou um dos pés.

E caiu…

Caiu em si no momento em que a campainha tocou. O porteiro que enfiou as correspondências por baixo da porta queria saber se tudo estava bem. A vizinha do primeiro andar fora atingida no olho por uma gota de sangue, antes mesmo de ouvir os gritos ou de ver a coleção de pinguins de vidro da traidora se espatifar na marquise.

– Voo incompleto de um pássaro feito para nadar… – Filosofou a mulher ao recolher para si uma das aves de porcelana. Também ela invejava o casal de beijoqueiros pombinhos.

E só então ele chorou. Seu sangue servindo de colírio à moradora do andar de baixo causou-lhe um misto de asco e autopiedade.

Era um nada.

Abandonado por uma mulher que mal sabia empregar a primeira pessoa do pronome oblíquo…

– Para eu fazer. – Ele explicava.

– Não para você, para mim mesma. – Ela se saía sempre com uma piadinha precedida de um tolo sorriso.

– Pensando bem, fui eu que lhe ensinei tudo! – Espumou ao colega de trabalho que telefonou para saber se tudo estava bem. Há três dias não aparecia no escritório…

Não estava.

Nada ia bem.

E o mundo girava em ânsias de vômito enquanto ele quebrava a quinta garrafa vazia no chão do banheiro.

A ingrata.

Não sabia escolher bebida. De tudo gostava doce. Perfumes, comidas, cores. O estômago, vazio há dias, vomitava o nada em espasmos.

Ela era açucarada.

Não que isso o desagradasse. Ao contrário. O cheiro de baunilha da bela foi a primeira coisa que chamou sua atenção naquela noite de verão em que se conheceram.

E noites quentes tiveram muitas e tantas…

Sufocado com o próprio vômito, se lavava nas obscuras águas da privada onde tantas vezes se sentara aquela tórrida mulher de vocabulário raso.

Tudo precisava ensinar a ela. Era sobrancelha! E não sombrancelha… O vinho tinto se devia tomar em temperatura ambiente.

E o branco pede peixe.

Na ladeira era sempre bom puxar o freio de mão.

Na cama, primeiro o lençol, depois o acolchoado.

E ela ficara nua logo na primeira noite.

Doce.

Ela era nauseantemente doce. Assim como doce era o gosto dos próprios dedos lavados na gosma quente dentro do vaso.

Estendeu a mão.

O papel higiênico nunca estava onde devia estar.

Nada estava em seu lugar.

Nunca.

Por que a cadeira estava afastada da mesa? Só mulher vulgar usa vestidos tão curtos. Por que na mesa tão pouco arroz? Para que tanta comida?

O alumínio do requeijão devia ser retirado inteiro. A pasta de dente, usada até o final. E o box do banheiro, aberto da esquerda para a direita.

Quantas vezes precisara repetir?!

Agarrou-se à cortina do chuveiro, tentando se levantar em vão. A bebedeira se confundia com aquele estranho zunido que já há cinco dias ele ouvia. Ou seriam sete? O tombo foi pateticamente inevitável.

Mais uma vez ensanguentado…

Agora eram os supercílios que o levavam novamente ao vaso sanitário. Sem enxergar direito, o tato encontrou algo no fundo do poço.

E tudo apagou.

Já era madrugada quando abriu os olhos.

O apagão havia deixado todo o bairro no escuro. Só a placa do hospital em frente permanecia acesa.

Gerador.

Ele explicara a ela um dia. Ela já sabia. Mas ele só veio a descobrir mais tarde. Ela fingia não saber de muita coisa para fazê-lo se sentir mais homem. E disso, ele souber meses depois, da boca do maior de seus desafetos.

Quando voltou a si, já era dia.

A claridade invadia os olhos inchados como pregos em brasa. Só então se deu conta do objeto em forma de termômetro em sua mão. E só então se deu conta, também, que o inchaço só permitia que enxergasse com um dos olhos. Forçou a visão a fim de decifrar aquilo que arrancara de dentro do vaso sanitário.

Um teste de gravidez.

Negativo.

Um teste de gravidez negativo do filho que nunca quiseram ter. Nunca. Disso não precisaria saber por estranhos. Ele se negava veementemente sequer a discutir a possibilidade.

Negativo.

– Somos contra o atual governo. Ela disse o contrário? Pois se enganou. É burra. Ignorante! – Ele se enfurecia.

Negativo.

– Somos ambos a favor da pena de morte. – E ela baixava os olhos.

Pena de morte.

A cabeça latejava como um balão febril.

Pena de morte.

Um bebê com uma imensa testa flutuava sorrindo no teto do banheiro. Em seu delírio, era ele o carrasco do fim de seu amor.

Pena de morte.

Talvez ela tenha, em algum momento, desejado ter o tal filho. Esquecera-se de perguntar a ela. Ou talvez tenha perguntado. Quem sabe não tenha prestado atenção na resposta.

Não sabia.

Assim como não entendia, de fato, se ela se negara a prestar o último serviço para o qual foi convidada por falta de vontade ou simplesmente por medo dele.

Medo.

Talvez a veneziana pudesse, sim, ficar fechada em noites de inverno. Não sabia se era o frio ou se flutuava em um rio conduzido por Caronte. O corpo se sacudia em fortes tremores, mas ele não tinha moedas para dar ao barqueiro. Talvez o carrasco aceitasse um teste de gravidez negativo como pagamento. A morte deveria se envergonhar diante de uma vida que nem sequer pensou em experimentar a existência.

Não pensava coisa com coisa.

Nada fazia muito sentido.

Talvez se não reclamasse tanto de moedas espalhadas pela casa, agora encontrasse uma a fim de pagar por uma morte digna. Talvez se não a mandasse sempre calar a boca de forma tão grosseira, como se dela fosse dono e senhor. Talvez um ovo frito pudesse ter sua gema estourada. Talvez tenha sido ele o algoz de um amor que aos poucos parecia se assemelhar a um tipo de ódio.

Talvez.

Quem sabe se não a tivesse sufocado tanto? Talvez o mundo não girasse apenas em torno de seu umbigo. Em que momento se perderam um do outro? Quando foi que o doce passou do ponto e ficou com sabor de enjoativo asco? O amargor tomara conta do casal. Talvez a culpa fosse dele. Em que momento se tornaram um perfeito casal de aparências?

Talvez.

O fel em sua boca grudava a grossa língua com lábios, amídalas e faringe. O ar aos poucos se tornava escasso. Dez dias.

Ela precisava respirar…

Ele a sufocara ao ponto do grito. E o grito fora dado com batom vermelho no espelho do banheiro. O mesmo que ele considerava exagerado, convencendo-a a não usar jamais.

Silêncio.

O vácuo sonoro gritava mais que seu domínio sobre ela. Em que momento o grito se tornou quase um sussurro? Talvez não precisasse estar sempre no comando. Talvez precisasse vigiar mais.

– Quem ama, vigia. – Entendera mal a utilização do verbo.

Tentando buscar o ar, as costas nuas deitadas no chão do banheiro doíam. Chegava enfim à última fase de sua agonia. Culpava-se por tudo o que fizera. Culpado. Era vítima, tirano e juiz de sua própria dor.

Era o fim.

E o fim produzia um ruído oco de insólitas explosões. A mãe arrombara a porta a socos. Não acreditou na figura que viu.

– Esse desleixo com aquilo que era seu… – Ponderou a mãe – A casa, destruída, completava o quadro capaz de tirar o sossego de qualquer uma. – Mais tarde confidenciou ao porteiro.

.– Talvez seja sinal de que ela volta… – O porteiro tentou amenizar.

Isso de deixar tudo para trás, devia lhe dar um certo consolo.

Uma tábua de salvação na qual poderia se agarrar no momento de desespero.

Trágico.

Ele era trágico desde muito pequeno. Não sabia ouvir um não.

Na maca, a luz vermelha da ambulância piscava nos rostos dos vizinhos que se apertavam para ver o que havia. Já não sentia dor, ligado a fios e agulhas. Agora ela deveria estar rindo dele, afogada no próprio oxigênio particular, mas ele não se importava mais.

Talvez devido aos calmantes, quem sabe ao efeito dos analgésicos, o perdão pareceu a ele uma reconfortante decisão a ser tomada. Não que tenha realmente decidido.

Apenas sentiu.

Era um barco flutuando à deriva, e já não havia nada.

Voltou à cabeça no momento exato em que a porta da ambulância começava a se fechar e para sua surpresa…

Vislumbrou a bela.

Mochila a tiracolo e uma mala em uma das mãos. O cabelo curto, agora cor de sangue, ressaltava ainda mais sua beleza. Mulheres são assim. Cortam o cabelo quando querem se livrar de algo. Era algo sabático. Parecia outra.

A mão adormecida sentiu o calor do feminino toque. Seus olhos buscaram os dela. Eram os mesmos da primeira noite em que a vira. Alguma coisa, porém, havia mudado nela.

Tentou balbuciar algo.

O dedo da bela em seus lábios lhe trouxe a paz que há quinze dias desconhecia.

Trágico.

Talvez tudo não tivesse passado de mais uma loucura sua. Talvez não houvesse um para ser culpado. Talvez a culpa recaísse sobre ambos. Talvez fossem ambos carrascos e vítimas de cada uma de suas pequenas escolhas diárias e pessoais. Talvez ele já não estivesse mais ali. Talvez, tampouco ela…

Sentindo o sono pesar o olho que ainda conseguia abrir, ele arriscou um patético sorriso, enquanto ela sumia em uma névoa branca de cheiro nauseantemente doce.

A expressão que se viu em seu rosto se pareceu com um espasmo involuntário. Isso também só descobriu, ao acordar, dias depois, através do enfermeiro que segurara sua mão a caminho do hospital.

***

(*) Conto extraído do livro “Pequenas Mortes Cotidianas” – de Paula Giannini – Editora Oito e Meio.

[PG1]Tirei as aspas. O que acha?

16 comentários em “Casal perfeito – Paula Giannini

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  1. Transtorno Obsessivo-Compulsivo – pronto, já diagnostiquei esse marido.
    A mulher o suportou, com suas obsessões e compulsões,foi por tempo demais. A mente doentia é bem apresentada aqui: o fato dele achar que a culpa não foi dele, e demorar anos até começar a entender que talvez ele tenha alguma culpa em tudo o que ocorreu.Ele incapacitou o relacionamento e até a si mesmo, ao se ver abandonado.O isolamento e arrependimento do personagem é tocante, a ponto de quase convencer o leitor a perdoá-lo, no final. Apesar de tudo que fez, senti pena dele, principalmente quando “via” a esposa, sinal de que passou o resto da vida com remorso.

    Os pensamentos, impulsos, as imagens recorrentes, os comportamentos repetitivos foram retratados com maestria. A leitura é fluida, prazerosa em ritmo ágil e interessante. O estilo é impactante, orgânico e bem-trabalhado. Uma história rica e cheia de emoção. Parabéns! Você já sabe que sou uma fã. Beijos!

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    1. Querida Fátima,
      Esse foi o primeiro de meus contos. Antes disso, só a dramaturgia. Creio que o ritmo e as repetições se devam muito à estrutura que uso no teatro.
      Sobre o diagnóstico do rapaz… Quantos deles não há por aí, não é? Amor, muitas vezes se confunde com posse. Com poder. Com castração.
      Você é psicóloga?
      Beijos
      Paula Giannini

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  2. Depois de ler o seu conto eu fiquei capaz de até acertar em quem esse cara votaria para presidente – se ele existisse, claro! Que cara chato, sufocante, dominador. A coitada até esperou e aguentou muito antes de declarar a própria independência. Imagino tudo que ela se submeteu a fazer e concordar para conviver com este prego! Quanto ao conto, achei bacana vc descrever as situações, construindo frases em ações que davam ênfase a uma vida programadinha, tudo no devido local, encapsulado, com começo e fim. Obviamente foi proposital para que o leitor começasse a entender a cabeça do cara. Lendo o seu conto eu me lembrei do filme Dormindo com o Inimigo, e daquele cara que agia como se a mulher fosse uma argila a qual ele deveria moldar conforme suas infinitas regras. E tome pancada se a argila não tomasse a exata forma que ele pretendia. Pois é. Parabéns, amiga pela desenvoltura com que escreve. Um abraço cearense.

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    1. Sabe, Iolanda,
      Esse foi o primeiro conto que escrevi na vida… Antes disso, era só dramaturgia. O tempo passou e hoje penso na escolha que fiz na época quanto ao narrador… Creio que é um dos poucos trabalhos em que optei por uma voz masculino. Mas, mais que isso, a ideia era realmente mostrar o equívoco, ou melhor, a visão equivocada do personagem em relação à própria vida, ao próprio relacionamento.
      Beijos e obrigada pela leitura atenta.
      Paula Giannini
      (11)982497839

      Curtido por 1 pessoa

  3. O seu conto apresenta a situação de um casal que era aparentemente perfeito, porém aos poucos vai revelando que por trás dessa “perfeição” havia uma mulher oprimida por um mala sem alça. Dá até um alívio saber que ela já está bem longe dele, e ele que vá se tratar rsrs. Parabéns, seu conto me lembrou uma história de Alberto Moravia, do livro “Contos Romanos”.

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  4. Muito interessante a curva dramática do seu personagem. do céu ao inferno. mas no final ele compreende, ele evolui como pessoa e talvez como amante. infelizmente, isso é muito pouco provável de acontecer na vida real… rs Belo trabalho! beijos!

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    1. Oi, Juliana,
      Obrigada pela leitura e pelo carinho. Realmente a real mudança catártica que colocamos na ficção é algo raro de acontecer. As pessoas mudam, mas nem tano e nem sempre, não é?
      Creio porém, que, mais que a mudança em si eu quis mesmo foi levar esse homem ao inferno. O que ele fez? Nada. E tudo. Costumamos pensar em abuso como algo físico, surras, tapas… Mas a violência verbal e aquela escondida nas pequenas coisas é algo que beira a tirania e existe em muitos relacionamentos por aí.
      Esse foi o primeiro conto que escrevi na vida. rsrsrs Antes disso, só dramaturgia.
      Beijos
      Paula Giannini

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  5. Já havia lido este conto e me encantei por ele novamente pois trata do vasto e denso campo dos relacionamentos. Como não se identificar com um dos personagens? Não somos todos cheios de neuroses, abismos emocionais? O sujeito é chato, obsessivo, ignorante quanto a si mesmo, mas ainda assim carrega uma autenticidade admirável. A mulher embora pareça um misto de vítima e heroína da situação, também é responsável pelas suas escolhas e de alguma forma sentiu-se confortável naquela relação, resistindo por algum tempo a sair da zona de conforto. Um conto que nos revela uma narrativa fluida e cheia de emoção. Parabéns pela sua habilidade com as palavras.

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    1. Adorei Cláudia,
      Uma excelente reflexão. Até que ponto a vítima não é cumplice de seu algoz?
      Concordo plenamente e, embora soe estranho, é preciso que se entenda que se pode romper as amarras para se fazer isso. Quantas mulheres se submetem a abusos por ter medo da separação? De ficar só, de não conseguir se manter, de não ser mais amada (como se nesse relacionamento ela fosse) e por aí vai. Quantas?
      Obrigada pela releitura.
      Beijos
      Paula Giannini

      Curtido por 1 pessoa

  6. Olá, Paulinha!
    Desnecessário falar da maestria que você tem em nos apresentar uma situação e ir aos poucos desconstruindo todo esse universo até revirá-lo do avesso, no que ele tem de mais hediondo que é a submissão. A submissão por um suposto amor, que nada mais era que carência da parte dela. E dominação da parte dele. E abuso. E sadismo. E o arco dramático dos personagens percorrem com o leitor um arsenal de situações em que o leitor não consegue passar incólume. Ele acaba se identificando, ou com um ou com o outro. Parabéns pelo conto e pela leitura que também nos desvela.

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    1. Oi Sandra,
      Vamos brincar de stop?
      Sandra, suspeita, superlativa, sensacional. 😉 Adoro suas leituras.
      Esse é o meu primeiro conto. O que me trouxe para a prosa. Que bom que gostou. 😉
      Obrigada pelo carinho.
      Beijos
      Paula Giannini

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  7. Uau!
    Paula, primeiramente, meus parabéns pela intensidade do conto. Excelente, cada detalhe da personalidade do casal, o desenrolar da história, a realidade, além das aparências, trazendo explicações e questionamentos, o desespero do protagonista, mostrando que realmente alguém estava se anulando muito, para que o “casal perfeito” fosse mantido, até o instante em que a mulher precisa respirar, e aí, o marido quase deixa de respirar.
    Amor, dor, desespero, talvez a esperança de um recomeço.
    Gostei muito, e quero muito seu livro, há tempos, já. Para breve 🙂
    Prazer ler seus contos,
    Beijos

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  8. Gostei muito de como a fábula do casal perfeito se desconstroi no seu texto. Embora o foco narrativo esteja no marido, seu texto nos mostra sutilmente que não há algozes e vítimas nos relacionamentos fracassados, ambas as partes tem sua parcela de contribuição na destruição de uma relacionamento. Gostei muito do ritmo da sua narrativa, as pausas, as repetições, para o meu gosto fizeram muito bem ao texto. Beijos, querida.

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  9. É sempre assim… o cara se acha porque “dá um mundo” para a mulher, e ela nem para agradecer “dando sua própria vida” para ele! Nojo desse tipinho… Vc representou bem a classe de maridos autoritários, mandões e exigentes e, ironicamente, “inocentes”. Que todAs tenham a força necessária para abrir os olhos e enxergar isso.
    Abs ❤

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  10. Excelente conto, Paula! Parabéns!
    Sabe… Fico pensando que as mulheres também tem culpa porque escolhem, mas as situações só são compreendidas depois de vividas. E que roupagem você deu ao personagem. Vou dizer… Eu senti raiva.
    Parabéns, mais uma vez.
    Um grande e carinhoso abraço!

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