Experimento poético 2 – Paula Giannini

a parte que te morde é a que sangra                                    

tão doce eu lamberia fosse outro

qual anjo em um altar que não consagra 

deslizo inocente em asco lodo

se a rua que castiga é chuva e açoite

quisera em um vislumbre eu compreender

que Deus criou a fera desta noite?

que giro aponta a roda do não ser?

o horror afasta os olhos do meu rosto

aquilo que é susto é o que faz ver

que a vida é um banquete decomposto

a dor que habita o mundo há de doer

o mesmo que suplica causa o nojo    

moedas irmanadas no sofrer  

te morde. esta fera

te lambe. saliva

que o verme te espia

consagra. neste asco

da graça. do nojo

que criou o não ser

do altar, emergindo

o banquete.  o morto

em de-com-po-si-ção

Não olha. a ferida

te engolfa. é o nada

que te há de doer

16 comentários em “Experimento poético 2 – Paula Giannini

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  1. Oi, Paula!

    Tive o prazer de ver esse experimento nascer e se metamorfosear. Já disse antes e repito: nem sei de qual versão gosto mais!
    Parabéns!

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  2. Achei que havia tido um déjà vu mas aí percebi as modificações. Parabéns, moça bonita. Sempre que leio os meus textos eu sempre acho que poderiam ficar melhor escritos com algumas modificações. Só há dois textos meus que eu não mudaria mais nada. Mas acho que tanto nós como aquilo que fazemos podem ficar melhores se estiverem e estivermos em constante evolução. Nascemos cheios de necessidades e à medida que crescemos vamos nos aperfeiçoando, nunca estamos prontos de verdade porque sempre existe a chance de melhorar. Por isso a vida é maravilhosa e preciosa, ela nos dá possibilidades infinitas a cada segundo. Beijos.

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    1. Esses experimentos, fizemos nas oficinas de poesia, modificando o tema e a forma. Ainda vem aí o experimento 3. Obrigada pela leitura e lindo comentário.

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  3. Logo de cara me apaixonei por estes teus experimentos poéticos. Tão forte, vibrante, certeiro, maravilhoso. O uso muito inteligente da palavra separada em sílabas de-com-po-si-ção fez toda a diferença, nos guiou na leitura, deu ênfase, fez todo o sentido. Você é muito porreta, mesmo. Parabéns e continue fazendo estas maravilhosas experimentações. Bjs

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  4. O próprio autor, o Maluco Beleza, assim analisou a sua letra Metamorfose Ambulante: “metamorfose + ambulante, quer dizer que a pessoa prefere mudar sem se preocupar onde está naquele exato momento, contanto que continue se transformando”.

    Às vezes, optamos pelo mais fácil para atingir um objetivo, mas sem analisar todas as possibilidades. E o chato é isso: acontecer algo, refletir e já pensar de forma óbvia. Paula, você e seus experimentos poéticos me provocaram esta reflexão.

    Parabéns pela inquietude mental. (Eu gosto mais do formato mais conciso, portanto mais sugestivo e que exige mais do leitor.)
    Beijos e que venham outros experimentos.

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  5. Olá, Paula!

    Acho, sinceramente, que toda a arte que te toca, te causa algo, ainda que vc não consiga decifrar todas as linhas, todo conteúdo (e acho que assim é bem melhor, pois instiga querer mais), é algo válido. Eu sinto muitas coisas, muitas mesmo, ao ler o seu texto agora. Tem força, ritmo, voz… por esse motivo me prende e gosto dessa sensação quase hipnótica.

    Parabéns!

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  6. Um ótimo experimento poético, duas versões de um mesmo contexto, palavras que deixam mini pegadas e sentidos que correm pela mente. Vou ter que ler mais algumas vezes para rastrear tudo o que me causou. Parabéns.

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  7. Mas que tudo! Amei! O da esquerda, mais completo tem um ritmo avassalador. Essa escolha de palavras, essa música na construção, esses sentimentos todos de muitos sentidos. O da direita é um primor. Ele me lembra Leminski na construção, com aquelas brincadeiras na construção das frases e palavras. Deveras certeiro – em ritmo, em movimento, em sentido. Simplesmente maravilhoso!
    Abraços carinhosos.

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    1. Querida Evelyn, Obrigada pela leitura. Vem aí o experimento 3. rsrsrs Esses textos fazem parte de um curso que fiz com algumas Contistas. 😉

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